quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não Satisfaça a Carne! – C. H. Spurgeon

Livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.
(2 Pe 1.4)

Rejeite para sempre todos os pensamentos de satisfazer a carne, se você deseja viver no poder de seu Senhor ressuscitado. Habitar na corrupção do pecado é trágico para um homem que está vivo em Cristo. "Por que buscais entre os mortos ao que vive?" (Lucas 24.5.) Os vivos devem viver em um sepulcro?

A vida divina dever ser sepultada no túmulo da concupiscência carnal? Como podemos participar do cálice do Senhor e, ao mesmo tempo, beber o cálice de Satanás? Certamente, você foi liberto de concupiscências e pecados visíveis. Você também escapou das armadilhas ocultas e ilusórias de Satanás? Você já escapou da indolência? Já está livre da segurança carnal?

Está procurando, dia após dia, viver acima do mundanismo, da avareza e da soberba da vida? Lembre-se de que foi por esse motivo que você foi enriquecido com todas os tesouros de Deus. Não permita que todo o abundante tesouro da graça seja desperdiçado por você mesmo.

Siga a santidade; ela é a coroa e a glória do crente. Uma igreja sem santidade é inútil para o mundo e não recebe apreciação da parte dos homens; é uma abominação, uma alegria para o inferno e um aborrecimento para o céu. Os piores males que foram trazidos ao mundo surgiram por intermédio de uma igreja sem santidade.

Você é um sacerdote de Deus — viva de acordo com essa posição. Você é um eleito de Deus — não se associe com o pecado. O céu é a sua herança. Viva como um ser celestial e você comprovará que possui a fé verdadeira em Jesus. Não pode haver fé no coração, a menos que exista santidade no viver.

Fonte: http://www.charleshaddonspurgeon.com

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Corpo de Cristo


 Por:
 Pr. Izaias Sabino
Uma das imagens favoritas do apóstolo Paulo para a igreja era a do corpo. Segundo Shelley, é “a única metáfora do Novo Testamento sem qualquer base no Velho. O apóstolo fez uso dela em Efésios, Colossenses, Romanos e 1 Coríntios”[1]. O que se percebe nessas epístolas é que o apóstolo considerava o corpo em suas mais amplas dimensões porque o viu unido a sua cabeça, Cristo. Paulo exortava os seus leitores a perceberem que todos desfrutavam do privilégio de serem membros do corpo de Cristo. Por isso, de forma explícita, escrevendo aos Coríntios, ele disse: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo" (1 Co 12. 27). “Estas palavras foram proferidas com a finalidade de lembrar aos crentes de Corinto que, através dessa imagem acerca da harmonia entre os membros do corpo, foi ilustrada uma realidade espiritual”, que como escreveu Champlin[2], a saber, a realidade do corpo místico de Cristo, do qual todos os cristãos fazem parte. Em relação a Cristo, eles eram um corpo, isto é, eles eram seu corpo místico, sua expressão neste mundo, por serem aqueles que compartilham de sua natureza. Cada qual é membro do outro, sendo mutuamente dependentes entre si. Paulo não encarava cada comunidade como parte do corpo, antes, olhava para os membros como aqueles que, individualmente, compunham, uma parte do corpo.
Quanto ao aspecto da individualidade, Calvino[3] dizia que, “segundo cada qual tem tido sua porção e trabalho definido, que lhe tem sido atribuído como um todo, falaria do corpo de Cristo como uma unidade. Individualmente, fala dos membros como indivíduos”.
O sentido de igreja em Romanos e I Coríntios, acrescenta Shelley, este era o alvo dos pensamentos de Paulo. E explica:

Seu ponto principal ao empregar a figura do corpo foi de salientar a diversidade dos membros dentro da união do corpo, a igreja. Romanos 12.4-5 resume melhor a idéia: ‘Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo, e membros uns dos outros’[4].

Com estas palavras, Paulo desenvolve a figura do corpo de forma mais especifica. Uma analogia entre o corpo humano e a comunidade cristã salienta que, embora sejam muitos os membros, os cristãos fazem parte de um só corpo e, portanto, dependem uns dos outros. Essa doutrina carrega implicações extraordinárias na maneira como se deve entender a igreja local, principalmente no seu modo de agir.
Os cristãos devem trabalhar unidos e viver harmoniosamente em prol do mesmo corpo. A figura do corpo propõe que essa união dos crentes com Cristo é orgânica e, conseqüentemente, os relacionamentos entre os irmãos devem objetivar esse elo com Cristo de forma recíproca. Se essa dinâmica relacional não for uma realidade no relacionamento da igreja, ela caminhará em constante desarmonia e conseguinte destruição. Assim, pode-se concluir com Bavinck[5] que “Cristo é a cabeça de todo o crente, de toda congregação, e também da igreja como um todo”.
Escrevendo aos Colossenses, o apóstolo Paulo proferiu as seguintes palavras: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o restante das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24). Semelhantemente escreveu à igreja de Éfeso: “E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef. 1.22-23). Estes versos demonstram o favoritismo de Paulo em se referir à igreja tanto de Colossos como a de Éfeso como o corpo de Cristo. Paulo tinha um entendimento especial da igreja de Cristo, e este era o sentido mais compreensivo e por meio do qual ele fazia referência direta a todo o corpo dos fiéis.
Shelley[6] ensina que o significado da metáfora da igreja como corpo de Cristo está relacionado ao “organismo que se acha unido a Cristo”.  Sendo assim, o corpo é mais do que uma simples coleção de indivíduos. Trata-se de um organismo espiritual. Os crentes em Cristo são unidos em seu corpo porque, mediante a regeneração, eles se unem à cabeça que é Cristo.
Uma digna compreensão da igreja como organismo do modo como é apresentada nas Escrituras é necessária para mudar a realidade atual vivida pelos crentes, afirma Shelley[7], tornando-os mais tolerantes em relação aos seus irmãos. A diversidade não é algo para ser rejeitado. Deus quer que ela seja um meio de ministrar ao corpo e, por meio deste, ao mundo. Cada membro é, pois, importante aos olhos de Deus.
Stedman afirma que

a igreja é principal e fundamentalmente um corpo destinado a expressar através de cada membro, individualmente, a vida de um Senhor que nele habite; e este corpo foi equipado pelo Espírito Santo com dons que expressem esta vida. A conseqüência é que nada poderia ser mais improdutivo ou patético do que uma igreja que não entende isso e, em vez disso, se utiliza de métodos de negócio, processos organizacionais e pressão política mundana para realizar o seu trabalho. Esta é uma receita certa para a frustração e a morte final. Mas redescobrir o programa divino para a operação da igreja é um desafio estimulante[8].


A igreja do presente precisa voltar os seus olhos para a Bíblia e aprender a viver conforme o privilégio que Cristo lhe concedeu de ser o seu corpo. Como concluiu Grudem, “a metáfora da igreja como corpo de Cristo deve aumentar a nossa dependência mútua e a nossa apreciação da diversidade de dons no corpo” [9].


[1] SHELLEY, Bruce L. A Igreja: o povo de Deus, p. 37.
[2] CHAMPLIN.Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, p. 199.
[3] CALVINO apud CHAMPLIN. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, p. 199.
[4] SHELLEY, Bruce L. A Igreja: o povo de Deus, p.142.
[5] BAVIINCK, Hermann. Teologia Sistemática, p. 435.

[6] SHELLEY, Bruce L. Op. Cit., p. 37.
[7] Ibidem.
[8] STEDMAN. Igreja Corpo de Cristo, p. 54.
[9] GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática, p. 20

Desligue seu ídolo


domingo, 1 de janeiro de 2012

Três lembretes para o Ano Novo

Por rev. Milton Jr.

“Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.” / “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer. Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou.”
Começaremos no domingo a contagem de mais 365 dias de um novo ano e os trechos das músicas acima revelam o que muitas pessoas em nossa pátria desejam para 2012, mas, infelizmente, sem uma consciência correta sobre Deus, a maioria dessas pessoas coloca nesses desejos a perspectiva de um ano bom.
Como cristãos, também fazemos planos, temos desejos e esperamos várias coisas boas neste ano que se inicia, contudo, não podemos deixar de observar o que ensina a Palavra de Deus. Tenha, então, em mente esses três “lembretes” contidos nos primeiros versículos de Provérbios 16:

1. Planeje, mas sem esquecer que o Senhor é quem dirige sua vida:
“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (16.1).
Temos aqui uma grande verdade: Deus é quem de fato dirige o nosso viver.
Perceba que o texto fala sobre o coração do homem. A Bíblia ensina que somos controlados pelo nosso coração (Mt 6.21). É dele que procedem as fontes da vida (Pv 4.23). Todos os nossos planos e projetos, conforme o texto, partem, então, dos desejos do nosso coração.
O texto não desestimula o planejamento e ele deve mesmo acontecer. A grande questão aqui é que planejamos sabendo que do Senhor é a resposta certa dos lábios. Geralmente, quando a segunda parte desse texto é citada, é da seguinte forma: “a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, mas o sentido do texto é outro. Com “a resposta certa dos lábios vem do Senhor” o escritor quer afirmar que é o Senhor é quem capacita o homem para realizar alguma coisa.
Isso quer dizer que só conseguiremos cumprir aquilo que está de acordo com os propósitos do Senhor em nossa vida. Alguns poderiam questionar esta afirmação e dizer: “Mas, se fosse assim, só nos ocorreriam coisas boas. O Senhor não nos capacitaria para fazer o que é errado.” Engana-se quem pensa desta maneira.
Deus nos capacita a realizar até aquilo que é contrário à sua vontade revelada a fim de que, com o coração exposto pelas circunstâncias, sejamos tratados por ele e nos tornemos semelhantes a seu Filho. O Senhor é Soberano e dirige nossa vida a cada momento.
É por isso mesmo que devemos estar atentos ao segundo lembrete:

2. Esteja atento às suas motivações:
“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito” (16.2).
Nesse versículo somos advertidos de que, para o Senhor, a “motivação” é importante.
O texto é claro: para o homem, tudo o que ele planeja está correto. Todos os caminhos a que ele se propõe a seguir são puros. Porém, a segunda parte do verso começa com um eloquente “mas...”. É como se o escritor estivesse dizendo: “a despeito do que pense o homem acerca daquilo que ele propõe”, o Senhor pesa o espírito.
Temos aqui duas palavras importantes: “Pesar”, que significa considerar ou examinar, e “espírito”, que diz respeito à disposição do coração (motivação).
Isso quer dizer que o Senhor sempre considerará o que nos leva a agir de determinada forma, ou planejar qualquer coisa que seja e não simplesmente” o planejamento em si. Sabendo que o Senhor examina as intenções daquilo que fazemos, devemos estar também atentos ao que nos leva a planejar.
Já vimos que os desejos procedem do nosso coração e sabemos pela Bíblia que o nosso coração, muitas vezes, nos engana, mas por meio da Palavra de Deus temos condições de avaliar aquilo que intentamos fazer no ano que se inicia (Hb 4.12).
Pelo menos duas perguntas são importantes aqui e devemos considerá-las: 1) Por que quero fazer (motivo)? 2) Qual o meu alvo com isso (resultado)?
Se respondermos a essas perguntas tendo em mente o que Paulo ensinou aos Coríntios: “Quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31), podemos aferir as nossas motivações e, a partir daí, nos esforçar para realizar tudo aquilo a que estamos nos propondo ou abandonar o plano caso isso não glorifique ao Senhor.

3. Confie no cuidado do Senhor
“Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos” (16.3).
O verso 3 nos traz o último lembrete. Ao iniciar um novo ano, devemos reafirmar nossa convicção de que confiamos no cuidado do Senhor. Creio firmemente que a ideia de confiar ao Senhor as obras para ter os desígnios estabelecidos, ensinada aqui por Salomão, é a mesma ensinada por Jesus: “Vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16), e que é repetida por João: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14).
Aqueles que conhecem o Senhor e procuram viver de acordo com a sua Palavra são moldados pelo próprio Senhor e aprendem a pedir em conformidade com sua vontade. Sendo assim, quando confiamos ao Senhor nossas obras e estas estão em conformidade com as Escrituras, ele as estabelece.
Ao planejar o ano de 2012, lembre-se de confiar no cuidado daquele que tem dirigido nossas vidas. A nossa confiança deve ser a tal ponto que, mesmo que as coisas pareçam ir mal, consigamos descansar no Senhor.
Que o Senhor abençoe sua vida neste novo ano e que ele mesmo estabeleça aquilo que você tem planejado, caso sua motivação seja a correta: a glória e a honra daquele que nos salvou.

*Texto extraído do blog "E a Bíblia com isso?" - www.bibliacomisso.blogspot.com

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um governo de contradições; ou: bater não pode, só matar


Por rev. Milton Jr.*



“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que País é este?” cantava a banda Legião Urbana, no início da década de 80. Mais de 30 anos se passaram desde que a música foi escrita e as coisas só têm piorado. São notórias as contradições do atual governo brasileiro.
O governo já passou por cima da Constituição Federal que reconhece como “família” a união estável entre “o homem e a mulher” (Art. 226 § 3º) e afirma que “os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher” (Art. 226 §5º - grifos meus), ao reconhecer a união estável para pessoas do mesmo sexo.
Ele também luta para aprovar o Projeto de Lei 122, que apesar de, com as modificações do novo substitutivo, permitir “a manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal” (PL 122, art. 3º) retira dos pais, por exemplo, o direito de não contratar uma babá homossexual para seus filhos, sob pena de um a três anos de reclusão por discriminação (art. 4º), além de outros problemas.
Na última quarta-feira (14/12/11) o governo deu mais um passo para a ingerência no âmbito familiar. A comissão especial da Câmara, criada para discutir a chamada “Lei da Palmada”, aprovou por unanimidade o projeto de lei que criminaliza o uso de castigos corporais em crianças e adolescentes, além de prever multa de 3 a 20 salários mínimos a médicos, professores e ocupantes de cargos públicos que não denunciarem “casos de agressão”, restando agora a aprovação pelo Senado. Seria cômica, se não fosse trágica, a ironia de que a lei parte de um governo pró-aborto. Ou seja, para o atual governo os pais têm direito de matar o seu filho, ao escolher abortar (e graças a Deus ainda não conseguiram aprovar essa lei), mas não têm direito de dar umas palmadas, caso sejam necessárias para a correção.
Os cristãos, apesar de terem de se submeter às leis do País, têm o seu próprio livro de Leis, a Escritura Sagrada. Nela aprendemos que, em alguns momentos, a correção física é necessária (Pv 13.24; 22.15; 23.13-14; 29.15). É claro que o cristianismo não é a favor da violência e é justamente por isso que o Senhor adverte: “Castiga o teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv 19.18). Pais crentes, que querem o bem dos seus filhos, diante da lei do governo caso seja aprovada pelo Senado, devem continuar obedecendo ao Senhor e fazer aquilo que a Bíblia ordena, pois “importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).
O governo já permitiu, em nome da liberdade de consciência e crença garantida pela Constituição, que o chá alucinógeno do “Santo Daime” seja consumido pelos adeptos do movimento, a despeito da lei que proíbe o uso de drogas. Se fosse coerente, permitiria também aos pais cristãos que colocassem em prática a sua crença, no que diz respeito à educação dos filhos conforme as Escrituras, mas como é um governo de contradições, não podemos contar com isso, antes, devemos estar prontos a sofrer por causa da justiça de Deus (Mt 5.10; 1Pe 3.14).
Os pais cristãos devem continuar primeiramente amando a Deus e depois aos filhos, a fim de cumprir na vida deles o papel ordenado pelo Senhor. Devem ser amorosos, padrão para os filhos, ensinando-os na Lei do Senhor e corrigindo-os quando necessário a fim de que sejam semelhantes ao nosso Redentor, ou correr o risco de ver os filhos sendo motivo de vergonha, quem sabe até como um deputado que legisla de forma tão vergonhosa, pois “a vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar sua mãe” (Pv 29.15).
Ao mesmo tempo devemos proclamar à nossa sofrida nação e seus governantes o que cantou de forma poética João Alexandre: “Brasil, há uma esperança, volta teus olhos pra Deus, justo Juiz”.
Que Deus tenha misericórdia da nossa nação!
*Rev. Milton Jr. é pastor na Igreja Presbiteriana em Praia do Canto - Vitória (ES).

 Fonte: www.ipb.org.br

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Eu comemoro o natal sim

Por
Rev. Mauro Aiello*

Por que será que ainda há, entre nós aqueles que se apegam a coisas tão pequenas? Não sabemos exatamente o dia em que Jesus nasceu, é verdade. Mas porque isso iria me impedir de comemorar o seu nascimento? Desde pequeno vibro com a montagem da árvore de Natal e nunca vi nenhum demônio escondido atrás dela.


Minha fé nunca foi abalada, pelo contrário ela cresceu forte ao embalo pedagógico das repetidas vezes em que minha família cristã comemorou o Natal. Nunca deixei de amar o meu Salvador só porque dizem que a origem da festa de Natal é pagã. Ela não pode ser uma festa pagã porque nela eu comemoro o nascimento do meu Salvador.


Tem gente ainda cometendo o equívoco de coar mosquito e engolir camelos (Mateus 23.24). Eu não comemoro a Páscoa porque ela é uma festa judaica, mas eu comemoro a ressurreição do Cordeiro Pascal, aquele de quem disse João Batista: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29).


O que seria de mim se Jesus não tivesse nascido? O que seria do mundo sem a linda história do Natal de Jesus? Seria possível cantar algo tão lindo como Aleluia de Handel ou Jesus a Alegria dos Homens de Johann Schop, se Jesus não tivesse nascido? Ora, confessemos; contamos a história com os famosos AC e DC. Como a contaríamos se Jesus não tivesse nascido?


Foi por isso que, por boca do profeta Isaías, Deus se pronunciou nos seguintes termos: “Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios”. (Isaías 9.1)


Quando chega essa época do Natal parece que certo encanto toma conta das ruas, das lojas, dos shoppings, das vielas, dos lares, das avenidas, dos prédios, das Igrejas. Não haveria isso tudo se Jesus não tivesse nascido e por mais que o tempo passe há sempre um remanescente fiel que acende a chama que parecia se apagar comemorando o seu nascimento.


Noite Feliz, é a canção que sempre cantamos nessa época do ano. Não haveria essa canção se Jesus não tivesse nascido. O que cantaríamos?  Oh! Que linda história é a história do nascimento do meu redentor. Oh! Como eu gosto de cantá-la, de ilustrá-la com encenações e poesias.


Meu netinho Gabriel entrou na sala de casa. Ela está toda decorada com tudo aquilo que lembra que é epoca do Natal. Ele olhou, arregalou seus olhinhos de uma criancinha de apenas três anos, sorriu com um brilho especial em seu rosto e disse: - Que maravilhoso! Quando chegou a noite e ascendemos as luzes que decoram a varanda e a garagem da casa onde moramos, ele disse à minha esposa: - Vovó, como está lindo! Isso mesmo, tudo que lembra o Natal de Jesus, é lindo, maravilhoso. Isso porque Jesus nasceu. Que mundo sem graça, em duplo sentido, seria esse mundo sem Jesus.


Já dei muitas voltas no quarteirão da vida. Já vivi cinqüenta e sete natais. Já cantei muitas músicas de Natal, e a magia é sempre a mesma, o encanto o mesmo, a alegria e a esperança se renovam, o coração acelera. Deus nos livre de vivermos em um mundo sem a comemoração do Natal de Jesus.

*Rev. Mauro Sergio Aiello é pastor na Igreja Presbiteriana de Mogi das Cruzes - São Paulo


Fonte: www.ipb.org.br