quarta-feira, 20 de junho de 2012

Shai Linne – Louvado seja eu!

 
“O cristianismo hoje está centrado no homem, ao invés de ser centrado em Deus. Deus é obrigado a esperar pacientemente, e até respeitosamente, pelos caprichos dos homens. A imagem de Deus popular atualmente é a de um Pai distraído, lutando em desespero inconsolável para levar as pessoas a aceitarem um Salvador de quem elas não sentem necessidade e em quem possuem muito pouco interesse. Para convencer essas almas autossuficientes a responderem às Suas generosas ofertas, Deus fará quase qualquer coisa; até mesmo usar técnicas de vendas e sussurrar em seus ouvidos do modo mais amigável que possamos imaginar. Essa visão das coisas é, naturalmente, uma espécie de romantismo religioso que, embora muitas vezes use termos elogiosos e por vezes embaraçosos em louvor a Deus, consegue, contudo, fazer do homem a estrela do show.” (A.W. Tozer)
Não quero parecer severo ou crítico demais, mas algum de vocês já notou que a vasta maioria da música que cairia na categoria “Cristã”, na verdade não é a respeito do próprio Deus? Penso que particularmente este é o caso do Hip-hop cristão, mas isso também pode ser visto em outros gêneros. Como posso dizer? Bom, a maioria das músicas que eu ouço é mais sobre NÓS e nossa resposta a Deus, mas não a sobre o próprio Deus. Não me entenda mal. Há um lugar para a música que trata de nossa resposta a Deus, mas quando esse é o caso da esmagadora maioria das músicas, nós lentamente começamos a distorcer a verdade sobre quem é o Deus ao qual deveríamos estar respondendo. A citação de Tozer acima foi escrita mais de 50 anos atrás, mas poderia ter sido escrita ontem. Nossa cultura é extremamente narcisista e antropocêntrica, e parece que muito da música cristã seguiu o exemplo. A Bíblia, contudo, é radicalmente teocêntrica, e eu creio que uma visão radicalmente teocêntrica deveria ser refletida nas canções que compomos. Por causa de nossas tendências antropocêntricas, as canções que cantamos sobre Deus geralmente tratam das coisas de que nós gostamos n’Ele (que normalmente são as coisas que diretamente nos beneficiam ao máximo), como Seu amor, sua misericórdia e seu perdão, etc. Essas coisas são gloriosas e nós devemos, sim, compor canções a respeito delas. No entanto, se só falamos a respeito disso, acabamos criando uma visão de Deus incompleta e deficiente, que não está alinhada à Sua autorrevelação.
Então, por exemplo, quando foi a última vez que vocês ouviram uma música contemporânea que tenha ecoado as antigas canções de Davi sobre a retidão e a justiça de Deus (Sl 11:7)? Qual sucesso cristão nas paradas canta juntamente com Naum que Deus é “ciumento, vingador e cheio de ira” (Naum 1:2-3)? Quem está produzindo músicas que falam do reino soberano de Deus sobre Sua criação (Sl 2 e 115)? Vocês podem me indicar uma canção popular que celebra a onisciência de Deus junto com Ana (1Sm 2:3)? E a eternidade de Deus, juntamente com Moisés (Sl 90:2)? E os julgamentos de Deus, juntamente com Miriã (Êx 15:21)? Essas coisas são ditas com frequência nas Escrituras, particularmente no contexto de canções Bíblicas, e ainda assim elas tendem a estar amplamente ausentes de nossas canções hoje em dia. Não quero dizer que ninguém esteja fazendo isso. Deus tem levantado um número crescente de compositores que estão expondo sobre Seu caráter. Mas quando algo tão fundamental e essencial tem sido tão mal feito, se torna importante que outros se preparem e contribuam. O álbum Os Atributos de Deus* é simplesmente minha tentativa de tal contribuição.
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* Álbum de RAP cristão intitulado de “Os Atributos de Deus”, onde todas as canções falam sobre um ponto do Ser de Deus. Você pode ouvir samples e comprar o CD neste link.
Por Shai Linne © Lyrical Theology. Website: lyricaltheology.blogspot.com

quarta-feira, 13 de junho de 2012

»» Tira o pé do Chão!

Refletindo sobre as músicas tocadas nos cultos evangélicos!

Por Renato Vargens
               
Há pouco participei de um culto onde o momento de louvor com música foi uma pulação só. Depois de mais de uma hora de muitos gritos, saltos e urros espirituais, o pastor imbuído de uma espiritualidade opaca me avisou que o sermão não deveria passar de 30 minutos, isto porque, a hora havia passado e já estava tarde demais.
Pois é, ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliás, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais.
Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos à conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus. Para piorar a situação, as músicas cantadas pelos denominados artistas gospel, nem o nome de Cristo mencionam mais. Veja por exemplo a canção "Tire os pés do chão" do ministério "Toque no Altar" que incentiva o crente a festejar, dançar e tirar os pés do chão.

Quem me viu dizia
Não poderá alcançar
Mas sou irresistível
Não vou mais parar
Este é um novo dia
A nova casa é maior
É tempo de alegria posso festejar
Por tudo o que vi, E o que virá.
Vou tirar os pés do chão, E festejar, festejar!!!
O impossível se rendeu. Eu posso dançar, dançar!!!
Diante das muralhas, Eu vou gritar.
Sobre os portões do inimigo, Vou saltar...

Caro leitor, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade, toca no altar, pede chuva, canta mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo.
Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.
Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração Cristocêntrica extirpando das nossas liturgias essa pulação inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.

Soli Deo Gloria! (Glória Somente a Deus!)

Leia esse e outros textos sobre o assunto em: 

Fonte: http://emquepensar.blogspot.com.br/ (Blog da nossa Congregação)


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A TRINDADE E SUA DINÂMICA RELACIONAL COMO MODELO PARA OS RELACIONAMENTOS NA IGREJA (1ª Parte)


 Por: Izaias Sabino
Para a teologia reformada a Trindade é um dos temas centrais da fé cristã, porque por ela é possível conhecer a essência da relação pessoal e divina de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito. Na Santa Trindade está fundada a doutrina da salvação. E principalmente por ela pode o crente entender a sua própria essência e caminho adequado para uma vida pautada em princípios eternos. Bavinck[1] diz que “não são poucos os que nos dias atuais afirmam que essa doutrina é fruto do argumento humano e de estudo acadêmico e que, por isso, essa doutrina não tem qualquer valor para a vida religiosa”. No entanto, como frisou o próprio Bavinck[2], a igreja cristã sempre teve um pensamento totalmente diferente sobre isso. Ela não viu na doutrina da Trindade uma descoberta de teólogos sutis, nem ainda como muitos afirmavam um produto da mistura do Evangelho com a filosofia grega, mas uma confissão que foi materialmente concluída no Evangelho e em toda a Palavra de Deus – “em resumo uma doutrina que a fé cristã extraiu da revelação de Deus”.
 Por uma questão de brevidade não serão abordados muitos dos ensinamentos extraídos da Trindade. Longe de querer fazer uma conceituação da Trindade, explicando passo a passo o desenvolvimento dessa doutrina no decorrer da história, o que se pretende ao tomar como modelo a Trindade Santíssima é enfatizar as características profundas do relacionamento entre o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, que devem ser o norte da igreja cuja existência está absolutamente ligada às pessoas da Trindade.
Como escreveu Sousa, teólogo contemporâneo:
Buscar compreender a Trindade a partir do que ela é na relação que nutre entre si constitui a grande tarefa da igreja para redescobrir sua própria natureza. [...] Pois nosso ingresso na Igreja de Jesus Cristo dá-se em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ser salvo por Cristo e torna-se membro da sua igreja é penetrar no mistério da Trindade e ser envolvido por um Deus que é comunhão[3].

Os pontos que serão abordados a seguir enfocarão a dinâmica relacional da Trindade Santíssima para servir de parâmetros para toda a existência da igreja.

3.1 A Trindade e seu modelo de Comunhão

O cultivo da verdadeira comunhão, o desenvol­vimento de relacionamentos afe­tivos entre os membros da igreja, deve ser uma realidade constante e marcante em seu viver diário. Horrell[4] comenta que a palavra grega para comunhão – koinonia – na linguagem comum do mundo antigo, descrevia, às vezes, a relação matrimonial. No Novo Testamento, o termo aparece vinte vezes para referir-se à comunicação pessoal com Deus ou, com mais frequência, à relação de um crente com outro cristão (1 Jo 1.3,6,7).
A koinonia cristã [...] significa o mais profundo relacionamento humano por meio do compromisso mútuo, franco e sincero, em torno do amor do nosso Senhor. A necessidade de comunhão é intrínseca à nossa regeneração em Cristo, mas hoje, com freqüência, a igreja vivencia pouca comunhão centrada em Cristo[5].

Ferreira e Myatt[6] ponderam com sabedoria que é preciso lembrar que a igreja foi chamada para viver em comunhão - chamada para refletir a Santa Trindade. Portanto, devem-se encorajar meios criativos para incluir os vários dons espirituais que Deus concede aos cristãos, lembrando que cada cristão é importante no corpo de Cristo. Ao mesmo tempo todos os cristãos devem estar conscientes de suas responsabilidades de submissão mútua e autodoação.
Para imitar o Deus Trino, a igreja local precisa cultivar amizades profundas. Por isto, deve-se investir em grupos pequenos, retiros e outras formas de comunhão que contribuam para reunir em amor o povo de Deus, exaltando a alegria e o amor da Trindade e prefigurando a comunhão abençoada do paraíso. Por outro lado, o mesmo cuidado mútuo não está limitado aos cristãos na igreja local. O senso de unidade e diversidade no corpo de Cristo deveria estender-se às outras igrejas cristãs que não devem ser vistas como uma espécie infeliz de competição denominacional, mas como congregações companheiras na igreja universal do Senhor Jesus.
Ferreira e Myatt[7], ainda comentando sobre a beleza incomparável do relacionamento da Trindade, afirmam: “A comunhão entre elas é íntima, inseparável, recíproca e continua [...]. Cada uma é completamente conhecida e amada pelas outras. O amor de Deus é um amor santo, expresso eternamente entre Pai, Filho e Espírito Santo”. Esse exemplo de amor que se encontra na Trindade convida a refletir sobre a dinâmica relacional, conclama a igreja a viver em uma comunhão mais profunda com os irmãos, objetivando imitar em tudo a sua essência. Como afirmou Sousa[8], “O ser de Deus é um ser relacional, e sem o conceito de comunhão é impossível falar sobre a realidade de Deus. A partir da Trindade nada existe por si mesmo, individualmente. Comunhão é a razão de ser do homem”. A Trindade determina, portanto, a razão de ser e o padrão de viver do cristão, isto é, relacional, que busca viver em comunhão e santidade em prol da unidade.
O teólogo Sousa, ao falar sobre a vocação cristã que na sua concepção é essencialmente relacional, afirma o seguinte:
O convite ao discipulado é um convite à comunhão pessoal com Deus e com a família da fé. O apóstolo João, na sua primeira epístola, expõe claramente este princípio ao definir Deus como sendo amor (1 Jo 4.8), o que significa que Deus subsiste como uma Trindade onde o amor é compartilhado. Ir contra o amor é ir contra Deus. Negar a comunhão, optar pelo individualismo, é negar a natureza essencial de Deus e nossa vocação cristã[9].

Essa importante observação de Sousa deixa clara a profundidade da vocação dos filhos de Deus. Na comunhão que se percebe na Trindade tudo é participativo, não há solidão. O desafio daqueles que fazem parte da família de Deus é de ser uma comunidade autêntica que não se baseia em simpatias ou conhecimento humano, mas em princípios espirituais e eternos, conforme apresentados nas Sagradas Escrituras. Uma família que não partilha da comunhão com os irmãos, está doente e vivendo distante de seus ideais e valores cristãos.
No salmo 133, o salmista, ao imaginar o momento de adoração do povo de Deus, exclama com muita suavidade: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Salmo 133.1).  Sproul[10], afirma bem que “viverem unidos refere-se ao relacionamento entre os crentes, ao adorarem o Senhor no monte Sião. Através de Jesus Cristo, o Novo Testamento inclui, com eles, povos provenientes de todas as regiões do mundo (Jo 10.16; Rm 1.5; Ef 2.11-22)”. Essa comunhão precisa ser resgatada na igreja. Como família espiritual que serve ao Deus trino faz-se necessário desenvolver relacionamentos que, de fato, faça a diferença e que os identifiquem como comunidade originária do Pai, do Filho e do Espírito Santo. “A comunhão autêntica é uma comunidade trinitária. Nós os crentes participamos em comum no Pai, no Filho e no Espírito Santo”[11].
 Horrel[12] faz um relevante comentário ao falar sobre a comunhão na igreja: No seu entendimento o amor uns pelos outros é a apologética mais convincente para esse mundo cético e a que mais o desarma do ceticismo (Jo 13.35). A comunhão é importante, pois mostra o amor por Deus por meio de uns pelos outros. Ela é um prenúncio do que será a verdadeira comunhão celestial da qual todos os cristãos compartilharão.
Este é, portanto, o grande desafio de todos os filhos de Deus que buscam viver a altura do amor de Deus e de exalar o bom perfume de Cristo, sendo instrumentos de impacto na sociedade. Devem estar profundamente comprometidos com o desejo de praticar uma comunhão verdadeira, tendo como base o exemplo incomparável da santíssima Trindade.
É a partir da Trindade, como bem ressaltou Sousa[13], que se descobre que a comunhão e a amizade com Deus e o próximo não são mais uma opção num mundo cada vez mais individualista e autônomo. A comunhão e a amizade são a razão de ser do próprio homem. Deus é comunhão e seus filhos foram criados para refletir essa comunhão. O Pai é Pai porque tem um Filho. É o Filho que define a identidade do Pai. Da mesma forma, é o Pai quem define a identidade do Filho. Quando Jesus afirmou “eu e o Pai somos um”, ele estava evidenciando a indivisibilidade da Trindade e a impossibilidade do individualismo autônomo.
Por outro lado, ele afirma a mesma coisa quando diz “quem vê a mim, vê o Pai’. “É impossível ver o Pai sem ver o Filho, ou vice-versa, como também é impossível ver o Espírito sem ver o Pai e o Filho. É assim que Deus se revela nas Escrituras, como um ser-em-comunhão”[14].
Horrel[15] narra um episódio marcante sucedido em um retiro de solteiros, em que o tema do estudo foi Servir uns aos outros. Havia umas trinta pessoas em pé, em círculo, na grama, ao redor de um esguicho, uma esponja um sabão. Uma jovem de vinte e poucos anos pegou a mão de outra jovem a levou-a para o centro do círculo. Enquanto lavava seus pés, chorando, pediu-lhe perdão por seus ciúmes e suas fofocas contra ela. Depois a segunda lavou os pés da primeira. Um pastor colocou seu filho de seis anos no centro e lavou os pés dele, prometendo que seria um pai melhor. Um jovem permaneceu resistente, não se envolvendo, até que outro o pegou pelo braço, trouxe-o ao centro, lavou-lhe os pés, mostrando o amor cristão em atos. O jovem resistente foi desarmado, chorou muito. Nunca se sentira amado e aceito. Como resultado, este jovem resistente ao evangelho tornou-se missionário em diversas regiões do mundo, desde a Amazônia peruana até a Sibéria.          
A síntese de tudo isso é que a comunhão de amor é a essência da Trindade e, portanto a razão de ser da humanidade, em particular do cristão, que só o é pela Trindade. Logo, a compreensão da Trindade questiona o individualismo e repele o privatismo fragmentário pós-moderno. Se a igreja, em sua dinâmica relacional, não vivencia a profunda comunhão entre os seus membros, então ela não está vivendo segundo os propósitos estabelecidos pelo Senhor para a sua Igreja.


[1] BAVIINCK, Hermann. Teologia sistemática, p.157.
[2] Ibidem p. 157-158.
[3] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p. 60.
[4] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja Contemporânea.
[5] Ibidem, p. 126,127.
[6] FERREIRA, Franklin e MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, p.187.
[7] Ibidem p.187.
[8] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p.62
[9] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p.62.
[10] SPROUL, R. C. Biblia de Estudo de Genebra, p. 712. (Comentário de rodapé)
[11] STOTT, Jonh R. W. A Mensagem de Gálatas, p. 6.
[12] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja contemporânea.
[13] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã.
[14] Ibidem, p. 67.
[15] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja Contemporânea, p. 129.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cristãos em uma Sociedade de Consumo

John Benton
Se olharmos com atenção a sociedade moderna, perceberemos com clareza a influência que o dinheiro exerce sobre as pessoas, e como a ganância e a cobiça imperam. A sociedade impõe às pessoas um estilo de vida em que acumular bens e correr atrás da prosperidade material é o que conta.

Essa filosofia de vida, ou seja, essa escolha, tem seu preço e traz consequências. Os relacionamentos interpessoais, a família, a ética e a moral, o bom senso e, muitas vezes, os princípios e valores fundamentais são sacrificados porque a ganância por riquezas foi colocada em primeiro lugar.
Mais cedo ou mais tarde, sendo ou não bem-sucedidos no propósito de acumular dinheiro e bens, percebem que estão correndo em vão, atrás de um objetivo vazio. Descobrem que o que realmente buscam é uma vida significativa, relevante, uma vida de contentamento, ou seja, algo que o dinheiro, mesmo com a falsa sensação de poder e segurança que ele proporciona, não pode oferecer. Você quer uma vida relevante, verdadeiramente significativa? Liberte-se da ganância!

Mas, se a vida não consiste na quantidade dos seus bens, então, em que consiste? “Busquem, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça...” (Mateus 6:33). Muitos cristãos, mesmo cientes de que devem buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e viver uma vida cristã autêntica como verdadeiros discípulos de Jesus, facilmente esquecem isso e também colocam a busca por dinheiro e prosperidade material como prioridade das suas vidas, tornando irrelevante e infrutífero o seu testemunho cristão.

O foco da vida de um cristão autêntico deve ser o de não viver para si mesmo, mas para servir aos outros, mostrando-lhes o caminho para a vida eterna; não viver focado nas coisas deste mundo, mas na perspectiva da eternidade. Com isso em mente, é possível compreender, de fato, como ter uma vida de contentamento e lidar com o dinheiro e com as posses materiais conforme a vontade de Deus.

Consumismo é a forma exagerada de materialismo que envolve os nossos cinco sentidos.  Sustenta que a felicidade é alcançada quando se exerce o direito de escolha. Não vai dar tempo de curtir o que você adquiriu porque... "você descobre" mais uma necessidade. O consumismo produziu um impacto forte e negativo nas áreas da ecologia, justiça e espiritualidade. E mina a evangelização. Uma igreja de consumistas não tem uma mensagem salvadora para a sociedade.
Parecemos freqüentemente tão envolvidos e imersos na promessa de felicidade proposta pelo consumismo quanto qualquer outra pessoa. (...) No entanto, a Palavra de Deus nos revela coisas que nos causam desconforto. Nada há de errado com o mundo material, mas os cristãos estão sendo cada vez mais levados a adorar as coisas criadas.
É provável que a nossa alegria esteja alicerçada nas criaturas em vez de firmada no Criador. Muitos que se dizem cristãos estão apenas interessados em um Deus que os encha de "saúde e riqueza" por intermédio dos assim chamados pregadores da Palavra da Fé do evangelho da prosperidade. Muitos de nós se tornaram amantes mais dos prazeres do que de Deus (2Tm 3:4). Isso acontece para a nossa vergonha e nos coloca em risco espiritual.
Mesmo sem a ameaça do mundo tentando fazer com que apostatemos da fé em Cristo e nos oferecendo seus prazeres materiais (...), a causa principal da impotência da igreja cristã nos dias de hoje não é necessariamente os grandes pecados, mas o simples fato de que os cristãos se distraem com o que é trivial, com a infinidade de opções para ocupar o tempo na sociedade de consumo.
Estas coisas talvez não sejam más em si mesmas, talvez não haja nada de errado com certas coisas que podemos comprar, mas o problema é que a nossa vida fica tumultuada e absorvida por coisas, atividades, diversão e tudo o mais que achamos tempo para fazer. Enquanto isso acontece, nosso foco na afirmação "Não terás outros deuses diante de ti" desaparece sem que se perceba.

Nossa vida cristã é contaminada, não necessariamente por grandes corrupções, mas por assuntos triviais. Nas palavras de John Bunyan, nos desviamos na Campina. Em linguagem antiga, nos tornamos mundanos.

O consumismo leva você às compras e diz: "A escolha é sua! Depende de você - se expresse". As escolhas pessoais fazem as pessoas  sentirem-se importantes. É uma forma de auto-afirmação. As coisas que escolho comprar expressam quem eu sou, ou a imagem que quero mostrar aos outros.

Precisamos estar conscientes de que este é o mundo em que vivemos. Enquanto buscamos a liberdade, enquanto estamos engajados neste conflito entre a natureza pecaminosa e o Espírito, precisamos nos conscientizar de que estamos envolvidos neste marasmo geral do consumismo que nos levará a um caminho sem volta.

Não é triste ver que até o cristianismo chega a nós em uma embalagem de consumo? Até a religião nos é vendida. Algumas das grandes conferências evangélicas se ajustam à mentalidade de consumo: há opções de seminários, e matérias, e diferentes estilos de adoração para atender a todo tipo de cultura religiosa. Depois há a área de apresentação e venda. Tudo está disposto como as mercadorias em um grande shopping center.
Todos os livros dos principais oradores chamam a nossa atenção no estande. Todos os discursos e louvores de adoração apresentados na conferência estão instantaneamente disponíveis em fitas de vídeo. São quase vendidos de forma que, por pouco, não pensamos que podemos comprar a espiritualidade se comprarmos estas coisas.

E, mais uma vez, somente algumas empresas cristãs têm permissão para fazer propaganda desses produtos de maneira que possam proteger a parcela de mercado desta livraria ou daquela gravadora. Isso se tornou um grande negócio.
Tudo isso parece tão diferente do espírito cristão das conferências evangélicas de anos atrás, quando a grande ênfase era fazer da convenção um momento de comunhão e encontro com Deus. É óbvio que não sou contra livros cristãos ou fitas evangélicas, mas tudo parece tão centrado no lado comercial que podemos imaginar o que Deus realmente pensa de tudo isso.

Sim, as conferências tinham de ser lugares onde as pessoas pudessem apresentar suas ofertas e tudo mais que fosse necessário para adorar a Deus, mas será que havia necessidade de transformar o templo de Deus em um mercado em vez de uma casa de oração?

A mentalidade consumista não somente deturpou a nossa fé pessoal, como também enfraqueceu a importância das igrejas para a sociedade que está ao seu redor. Preferimos ir atrás do sonho de morar em uma casa bonita. Preferimos morar em um lugar onde podemos comprar uma casa melhor pelo preço que oferecemos. Uma vez que as pessoas optaram por ir "de carro" para a igreja, então as igrejas não estão mais ligadas às suas comunidades locais.
Morando longe do local onde a igreja se reúne, torna-se mais difícil para a congregação  envolver-se em questões sociais e de boas obras que nos foram imputadas por Jesus e pelo evangelho como dever para com a comunidade. Em vez de os cristãos morarem e cultuarem a Deus em seus próprios bairros e sua fé sobreviver em um contexto que naturalmente esteja relacionado à fé e vida, o que ocorre é uma separação.
As pessoas que moram no local onde se situa a igreja apenas vêem muitos carros chegando e saindo aos domingos. As pessoas que moram nos bairros em que os cristãos residem apenas vêem os carros saindo aos domingos e, depois de algum tempo, retornando. Nenhum grupo relaciona a vida dos cristãos ao amor de Deus manifestado por meio do cuidado de sua igreja.
Como dissemos, grande parte deste deslocamento acontece porque há cristãos que vão atrás do que basicamente são valores do consumismo no que se refere à moradia e conforto. Onde está o compromisso com Cristo que não tinha onde reclinar a cabeça? Onde estão os valores do Senhor Jesus que estava preparado para "levar a vida com dificuldade", deixando as glórias do céu, tornando-se um simples carpinteiro e pregando sem rumo para seguir por nos amar e pelo bem do reino de Deus? Os cristãos precisam encarar estes fatos. Formar uma igreja para Deus requer compromisso.

Todos nós agora pensamos no medo do compromisso. Claro que há uma hesitação natural e justa antes de assumirmos um compromisso. É tolice não ter medo. Devemos pensar bem e saber no que estamos nos envolvendo, antes de firmarmos qualquer coisa na vida. Há, portanto, uma preocupação justa sobre o custo de todo compromisso antes de o assumirmos, e o próprio Jesus ressalta este fato.

Em Lc 14:27 ele diz: "E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo". Portanto, ser um verdadeiro discípulo de Jesus tem um custo. Então, ele diz que devemos avaliar o preço: "Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar todos os que a virem zombem dele dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar".
Na realidade, Jesus está dizendo: "Não quero que o mesmo aconteça com vocês. Se estiverem prestes a se tornarem cristãos, parem para pensar cuidadosamente em tudo que isto envolve". É necessário que se faça um cálculo correto. A pessoa tem de se perguntar sobre quanto estas questões são sérias. Ela tem de refletir à luz da eternidade. É necessário o abandono dos prazeres do pecado.
Haverá oposição de todos os tipos quando a proposta é ser um discípulo de Jesus. Há um custo. Contudo, lembre-se de que há um céu a ser conquistado e um inferno a ser evitado. Quando fizer isso e observar o custo, você verá que o preço não é tão alto assim. No entanto, Cristo quer que saibamos o que estamos ganhando com isso.

É necessário que se pense bem na questão de se tornar um cristão. Não há recriminações por parte de Cristo quando há uma hesitação justa. Ele quer que façamos uma reflexão acertada e, à luz da eternidade, um compromisso sério. Feito este compromisso, ele quer que sejamos verdadeiros pelo resto da vida.
 
Que cada um de nós esteja comprometido com Cristo na prática, nos trabalhos de sua igreja, na perseverança para alcançar o reino de Deus, na divulgação do evangelho e na busca em servir uns aos outros em Cristo.

Como os cristãos podem ser diferentes na sociedade de hoje? Como podemos dar um testemunho distintivo da forma como vivemos? (...) Onde foram parar a essência do testemunho e o traço distintivo do estilo de vida do cristão do Ocidente? Além da necessidade de uma pureza de vida em uma cultura em decadência, creio de todo o meu coração que esta questão do contentamento é a essência necessária.
Vivemos na era do consumismo. Há uma preocupação constante em conseguir padrões de vida cada vez mais altos, ainda que a ecologia do planeta sofra danos com isso. Estamos expostos a uma vasta e sofisticada indústria de propaganda que contínua e deliberadamente busca estimular o descontentamento. Ela diz constantemente ao indivíduo: "Você precisa de mais".
Em uma época em que todo o direcionamento da vida das pessoas se volta para a ascensão na vida profissional, aquisição de bens materiais que nunca satisfazem, um cristão ser capaz de dizer "Estou bem assim; não preciso de nada" é um tremendo e maravilhoso choque para o sistema dos não-cristãos. Este é o fator principal. Ser conhecido como alguém que é capaz e, contudo, não tem ambição maior do que estar contente em Deus é tão surpreendente que desperta as pessoas.

É tão chocante quanto ver um apóstolo velho, preso e malcuidado (Paulo), que prega uma religião desprezada, e perceber que ele está completamente em paz e radiante com a alegria celestial, a despeito de todas as circunstâncias. Não é de admirar que as novas do evangelho tenham se espalhado por toda a guarda pretoriana em Roma (Fp 1:13).
Este homem era diferente de todos os prisioneiros que já tinham visto. Eles normalmente estavam mal-humorados e tinham muitas reclamações compreensíveis. Contudo, a cela deste homem era um lugar de alegria. Um coração repleto de alegria em Cristo é o segredo para causar este tipo de impacto em nossos vizinhos e colegas em nossa sociedade de consumo.

Sem dúvida, o contentamento cristão é muito importante também por outras razões. É uma bênção pessoal. "De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitos sofrimentos" (1 Tm 6:6-10). 
Mas aqui, simplesmente observemos que é o contentamento que causará um impacto a favor de Cristo. Em contrapartida, ter a preocupação de enriquecer não apenas levará a ter problemas espirituais, como convencerá o mundo de que não somos diferentes dele.

Fomos chamados por Deus. Ele pede que "abandonemos" a sociedade de consumo que tende a dominar as nações e até a igreja do Ocidente.  Temos de ser diferentes no mundo que nos rodeia de várias maneiras. Devemos ser santos. E um ponto importante sobre esta santidade na atual geração é encher o coração do poder que vem de Cristo, que nos dá um contentamento sereno em todas as circunstâncias.
É por meio de Cristo que podemos fazer com que a sociedade desperte e perceba isso. Deus nos desafia para que sejamos visivelmente diferentes. Ele desafia esta geração de cristãos a ser transformada. Ele nos desafia a abandonar a falsa segurança do estilo de vida marcado pela ganância. A igreja de Cristo precisa se libertar dos grilhões do consumismo e, assim, ser capaz de glorificar a Deus aos olhos de um mundo atônito nos anos que estão por vir.


Fonte: Livro- Cristãos em uma Sociedade de Consumo
Autor: John Benton - Editora Cultura Cristã

terça-feira, 22 de maio de 2012

Confundindo Ministério com Palco

Por: Carlos Sider
Imagine o que aconteceria se o apóstolo Paulo considerasse que parte – apenas parte – de seu “sucesso” ministerial fosse devido a sua oratória. Já pensou nos conselhos que daria a Timóteo e Tito, recomendando-lhes que desenvolvessem “uma boa lábia”?
Imagine os resultados se Pedro comentasse com seus companheiros que, modéstia à parte, sua pregação no dia de Pentecostes “foi mesmo um marco na história do evangelismo”. Daria para imaginar Pedro negando-se a  seguir para Antioquia por conta de sua agenda atarefada pelos muitos convites que teria de atender como evangelista?
Imagine o que seria se Davi se vangloriasse de sua performance como músico e poeta. Passaria pela sua cabeça Daví pedindo sua harpa para curar seu primeiro filho com Bathseba, e dizendo que sua música era “tiro-e-queda”, e já que havia sido capaz de acalmar Saul sua música curaria também seu filho?
É verdade que eles foram homens como nós, sujeitos às mesmas paixões e tentações. É até razoável imaginar que eles devem mesmo ter tido seus momentos em que “se acharam” mais do que eram. Não pensar assim  leva-nos a tê-los como super-homens, e isso não nos ajuda em nada. Eles foram gente de carne e osso como eu e você.
Mas tenho para mim que eles se resolveram bem. Eles, cada qual a seu modo, foram trabalhados por Deus, seja por espinhos na carne, seja por galos cantando, seja por filhos rebeldes. Se alguma vez tentaram chamar para si o comando foram confrontados pelo dono da obra.
Agora eu o convido a dar uma volta pelos nossos dias. A cada região para onde sigamos, rapidamente saberemos quem é o pastor da moda, qual é a igreja da moda, e qual é o grupo musical que “é massa”, que arrasta uma pequena multidão por onde vá se apresentar.

E entenda-se: pastor bom é pastor que prega bem, não aquele que cuida de almas; igreja da moda é igreja grande, com uma programação bem legal, não uma igreja que necessariamente viva  Cristo; e o tal grupo musical é um bom “contratipo gospel” das bandas que tocam nas rádios, pouco importando a vida que tenham.
São ministérios? Sim, são. Sérios? Podem ser, dependendo da seriedade dos ministros. Mas são ministérios que estão sob os holofotes.
Ah... e onde estão os ministérios de visitação aos doentes, os de oração, os de serviço, os de cuidado pastoral? Estão onde sempre estiveram – no coração de seus ministros e, via-de-regra, longe da vista do público, longe dos holofotes.
Mas qual deles está mais perto do coração de Deus?
Eu já aprendí - creia-me, a duras penas - que Deus não tem ministérios preferenciais. São todos necessários e Ele os distribui como quer, a quem quer, da forma e na hora em que deseja. E também aprendí – a ainda mais duras penas – que Deus não está “nem aí” para os ministérios, mas está “todo aqui” para com o coração do ministro.

Deus se relaciona conosco, não com nossos ministérios, afinal, convenhamos, Ele nem precisaria de nós para fazer o que deseja. Se nos usa é porque investe em nós, seus filhos, sua família.
E quando falo das “duras penas” é porque justamente meu ministério sempre foi um desses que chamo de “ministérios de palco”. Desde que me conheço por gente estou envolvido com música, com letras de música, com o uso da palavra, seja escrita, falada ou cantada. É assim que Deus me usa para falar das Suas coisas.
Costumo dizer que os “ministérios de palco” trazem a quem com eles se envolve  um desafio sempre presente, grande e constante: o de separar o ministério do palco, embora ele aconteça justamente lá, no palco.
É de um palco que o pastor prega, é de um palco que alguém canta e toca. E vale lembrar que o palco não é nada. O que o faz maior ou melhor não é seu tamanho, sua altura, sua acústica ou a qualidade do microfone que lhe dão.

Pouco importa se é um palco de verdade ou um Cd gravado, um espaço na internet, um livro publicado, ou algum outro tipo de “palanque”. O que lhe dá importância e peso é a arena – o público que se reúne em torno dele.
Alguma igreja tem batalhões de jovens querendo se envolver no ministério de oração? Dúzias de pessoas dispostas a visitar doentes no hospital? Dezenas de pessoas dispostas a fazer parte da escala de serviço, que inclui varrer chão, lavar louça, fazer café, carregar cadeiras? Gostaria de conhecer uma...
Mas sou capaz de adivinhar que sua igreja tem um verdadeiro batalhão de pessoas querendo se envolver no ministério de louvor (leia-se, querendo tocar ou cantar em uma das bandas). Acertei? É mesmo?
Palco. Arena. Público. Estar em evidência. Ser admirado. Dar um show. Mostrar capacidade.
Quem não quer?
Deus não quer!
Ele quer que o coração de quem está no palco seja o mesmo coração de quem chega duas horas antes de todos para sozinho arrumar as cadeiras. Quer o mesmo coração de quem abraça um mendigo para lhe transmitir carinho da parte de Deus.
Este é o desafio. Estar no palco como quem faz uma visita solitária no hospital. Onde, por vezes, só Deus é testemunha. Pois Deus é o único público que realmente importa agradar. Estar no palco como quem está lá com o salão vazio, sem arena humana, mas com a presença do “público de Um”. Com o devido e desejado endosso divino.
Quem canta bem ouve elogios do público? Ouve. Quem prega ouve comentários positivos das pessoas de como sua mensagem foi eficaz? Ouve. Quem toca e canta bem é chamado para gravar um CD? É, mais cedo ou mais tarde. Estes são os frutos do palco. São bons. São deliciosos! Mas duram pouco, muito pouco. E costumam não vir quando você os procura (e Deus sempre tem algo a ver com isso).
Entretanto, quem toca e canta bem, quem prega bem, estando no palco mas com o coração aos pés da cruz, ouve elogios de Deus. Segue ouvindo elogios e comentários do público, é certo, mas aprende a devolvê-los a Quem pertencem de direito: a Deus – o dono da obra.

E Ele administra os frutos do ministério, dando-nos a conhecer, de vez em quando, algo do que anda fazendo através de nós. É bom, é delicioso, muito mais do que os frutos do palco. Os frutos do ministério são eternos.
E você me pergunta se aprendi a fazer isso? Se na teoria sim, na prática sigo tentando, praticando. É duro. É difícil. Creio que não é algo como um obstáculo que se vence e jamais o vemos. Creio que é vencer o de hoje, pois os de amanhã estão logo à frente, passada aquela curva... basta um pouco de distração e...
Quem ama o palco e lhe dá o nome de ministério está brincando com fogo. Na melhor das hipóteses o fará por suas próprias forças. E cedo ou tarde experimentará o peso da mão do dono dos ministérios.
Mas quem de fato ama a Deus e dEle recebe um ministério, seja ele de palco ou dos bastidores (pois pouco importa), segue na maravilhosa e eterna estrada onde caminha quem agrada a Deus e é usado por Ele.

Carlos Sider
Tem desenvolvido seu ministério há 30 anos na área de música cristã, seja em composição, gravações, palestras e cursos.

sábado, 12 de maio de 2012

Mães Intercessoras - Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes fala sobre mães intercessoras. E como, nesta data comemorativa do Dia das Mães, somos gratos por mães, como Lóide e Eunice, que nos ensinaram nos caminhos do Senhor, nos tornando sábios para a salvação.
Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. [...] E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (2 Timóteo 1:5; 3:15)




Fonte:http://voltemosaoevangelho.com

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jen Smidt – Uma esposa excelente é forjada, não encontrada



“Uma mulher excelente, quem a pode achar? Ela é muito mais preciosa do que jóias.”
(Provérbios 31.10)


Eu frequentemente penso que meu marido não encontrou uma esposa excelente. Quando ele me diz que ultimamente tenho falhado com ele, exagerando nas minhas reações e entrando desnecessariamente em crise, eu me sinto desencorajada com minha falta de excelência. Minha impaciência e desrespeito o têm envergonhado em várias situações.
Meu coração prático e direcionado para a performance tenta se consertar fazendo uma lista: Uma esposa excelente cozinha com comida orgânica (não com gorduras saturadas), costura suas próprias roupas (ou pelo menos passa as camisas do marido!), fala apenas palavras transbordantes de graça (e não com sarcasmo) e lê sua Bíblia por horas a fio (tudo bem, minutos?!).
Essa lista traz mais condenação; evidência concreta de que eu não posso ser uma esposa excelente por minhas próprias forças.

FORJADA, NÃO ENCONTRADA

Embora todos essas coisas possam ser sinais de excelência, elas definitivamente não são exigências. Indo para as Escrituras para ser confortada e convencida, eu sou lembrada: Uma excelente esposa é forjada, não encontrada. Nenhum homem sai para encontrar e casar com uma mulher que é uma pura perfeição de esposa. Na verdade, nenhum homem ainda sabe o que é isso!
“É o caráter de Deus, e não o de nossos maridos, que pode ser plena e firmemente confiado. Nossa identidade central deve estar ancorada somente em Cristo.”
Uma mulher piedosa se torna uma esposa excelente à medida que entende que é feita à imagem de Deus, re-feita à imagem de Cristo, e formada ao longo de uma vida de arrependimento e redenção. A excelência não é medida por uma lista de tarefas; é manifestada na vida de uma esposa que conhece a Jesus intimamente.

TRAZENDO VERGONHA

“Uma esposa excelente é a coroa de seu marido, mas aquela que traz vergonha é como podridão nos seus ossos.” (Provérbios 12.4)
Quando eu humildemente e honestamente penso nas vezes em que eu trago vergonha ao meu marido, a sua destruição me traz à realidade. Se eu trago podridão aos ossos dele, então os meus já estão se desintegrando em falta de fé e amargura. Nós trazemos vergonha como esposas quando nós:
1. Nos focamos no pecado do nosso marido;
2. Pensamos que nosso jeito é o melhor, priorizando a nós mesmas sobre ele;
3. Falamos duramente a ele ou pejorativamente sobre ele com outra pessoa;
4. Negamos benção, oração, sexo ou algum tipo de encorajamento em uma tentativa de punir, manipular, ou “passar uma mensagem”;
A esposa que traz vergonha ao seu marido é a filha que não conhece e confia verdadeiramente no seu Pai Celestial.
Se a identidade da esposa está centrada ao redor do seu homem, ela com certeza lhe dará vergonha quando ele lhe desapontar – o que ele inevitavelmente fará. É o caráter de Deus, e não o de nossos maridos, que pode ser completamente e firmemente confiado. Nossa identidade central deve estar ancorada em Cristo apenas.

FEITA PRECIOSA POR JESUS

Nós somos feitas preciosas por Jesus. Essa transformação do coração é a base para qualquer preciosidade que nosso marido experimente em nós. Não é o que nós fazemos, mas o que nosso precioso Salvador fez por nós que graciosamente nos dá o poder para sermos esposas excelentes. Não temos esperança em nós mesmas.
“A excelência não é medida por uma lista de tarefas; ela é manifesta na vida de uma esposa que conhece Jesus intimamente.”
Uma esposa piedosa entende que ela não é nada fora da graça salvadora de Jesus Cristo e que ela não tem excelência fora dEle. A graça e o amor de Cristo são preciosos para ela. Impulsionada por Suas riquezas, ela se tornará uma gloriosa coroa para seu marido, ajudando, nutrindo e amando-o através das profundezas da justiça de Cristo nela.
É necessária uma cerimônia de 10 minutos para se tornar uma esposa. É necessária toda uma vida para se tornar uma esposa excelente – uma que entenda que o sangue de Cristo derramado na cruz é necessário para que ofereçamos excelências a nossos maridos.

Por: Jen Smidt | © 2012 Resurgence | theresurgence.com
Fonte e Tradução: voltemosaoevangelho.com