quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A família na época pós-moderna

 
                                                                                    
                                                                                                   
 Por Hernandes Dias Lopes

A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas. Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!


Fonte: http://emquepensar.blogspot.com.br/
Fonte original: http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/05/a-familia-na-epoca-pos-moderna/

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Centralidade do Amor de Cristo por nós - Tim Conway


      Texto base: Efésios 3:14-19

Você já experimentou uma percepção do amor de Cristo quase maior do que você consegue conter?
Na carta de Efésios, Paulo estava orando para que os cristãos daquela cidade pudessem “compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:18,19). Os cristãos de Éfeso tinham problemas como os nossos e a oração de Paulo não era só “que Deus ajude eles”, mas que para que eles entendessem profundamente o amor de Deus. Saiba: o que nos faz superar todas as dificuldades da vida cristã é entender o amor de Cristo por nós! Entender profundamente o amor de Cristo transforma a nossa vida e nos santifica. Quem está cheio do conhecimento do amor de Cristo não sai e vai pecar, pois este amor nos constrange! Davi caiu não enquanto louvava diante da arca.
Paulo diz que nós precisamos de um poder especial para compreendermos profundamente o amor de Cristo. Então, como conseguimos este poder? Sugiro três formas:
Ore. Ore por si mesmo, por seu irmão, por seu pastor, por missionários, etc.. Não ore de forma rasa, mas como Paulo orou. Ore para que Deus derrame deste poder para despertar sua sensibilidade espiritual para compreender o amor de Deus. Aprenda a orar. Um dos sinais de imaturidade na vida cristã são orações só para si mesmo.
Pense sobre o amor de Cristo. Você nunca irá crescer em entendimento se não pensar sobre Ele.
  •      Pense sobre a largura do amor de Cristo que alcança o solitário e não amados. Cristo demonstrou compaixão para com os  desprezados. O amor de Cristo alcança o pior dos pecadores.
  •       Pense sobre o comprimento do amor de Cristo que procede desde a eternidade ao eleger em amor. O amor de Cristo é eterno!
  •       Pense sobre a altura deste amor. Você pode gastar sua vida inteira (e você precisa fazê-lo) pensando neste amor. Jesus diz em João 15 que Ele nos ama assim como o Pai O amou. Não há como ir mais alto que isso!
  •     Pense na profundidade deste amor. Veja a descrição de quão fundo foi o amor de Cristo em Filipenses 2:6-11. O eterno Filho de Deus deixou a glória que tinha com o Pai e desceu até as profundezas de um homem de dores. O Rei se tornou um servo e suportou na cruz a ira de Deus. Nós gastaremos uma eternidade para compreender este amor!
Seja sensível. Precisamos responder aos atos de amor de Cristo. Em Cantares 5 a noiva, diante do chamado do seu amado, em vez de responder rapidamente, ela retarda e prefere o conforto; e depois, quando ela se arrepende e vai abrir a porta, o noivo foi embora. Será que não temos feito o mesmo com Cristo? Será que pensamos “o Senhor estará sempre lá, depois vou encontra-lo”? Ele pode não estar. As coisas mais preciosas na vida cristã não é saber defender a doutrina da predestinação, mas ser íntimo do amor de Cristo.
Não dê suas afeições para a TV ou esportes, mas para Cristo. Quanto mais você provar do amor de Cristo, mais doce será a vida.
Por Tim Conway na 10ª Conferência Fiel para Jovens © Editora Fiel

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Como Escolher o Meu Futuro Cônjuge?



Observe seu pretendente em apenas duas áreas, e isso será um grande balizador para fazer uma escolha que agrada a Deus. Não priorize nada que seja exterior ou passageiro, mas lembre que, sendo você crente, está diante da mais importante decisão da sua vida. Como escolher meu cônjuge?

I - Seu relacionamento com Deus

Jesus resumiu a lei dizendo que em primeiro lugar devemos amar a Deus sobre todas as coisas, então:

a) Ser crente não é tudo; mas é apenas um ponto de partida, mas deve-se observar se ele/ela tem a Cristo como o seu maior tesouro. Como fazer isso?

Note por exemplo o valor que dá às coisas de Deus: culto, igreja, etc. em detrimento de qualquer outra coisa. Entre o futebol e a igreja qual a opção dele? Entre ficar com uma amiga que ela não vê há muito tempo e chega de surpresa na casa dela, qual a opção dela?

b) Veja especialmente que valor dá ao culto a Deus e se se preocupa em agradar a Deus de todas as formas possíveis: como líder ou como auxiliador idônea, todos precisam ser observados nisso.

c) Veja que valor ele dá ao nome de Deus e à sua Palavra.

d) Observe seu pretendente no domingo. Isso ajudará você a entender muita coisa.

II - Seu relacionamento com as outras pessoas

Nosso relacionamento com Deus pode, por vezes, ainda ser subjetivo. Aliás, João diz isso em I João 4:20 – Se alguém disser: amo a Deus, e odiar seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
Por isso, de forma mais objetiva, Jesus completa o resumo da lei dizendo: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Como?

a) Veja atentamente como seu pretendente trata seus pais; e consequentemente outras autoridades e as pessoas mais velhas. Isso será um indicativo importante de como será o seu futuro.

b) Veja como trata seus irmãos e como se refere a outras pessoas. Se fala mau dos outros, se é rixoso, etc.

c) Seu comportamento com você ou pessoas do sexo oposto. Leia I Tes. 4:1-8 e veja se pureza está ao seu alcance. Como ele (ou ela) trata você e se mantêm distância do seu corpo, pois aguarda o momento correto de Deus no casamento.

d) Veja a sua conduta ética. Tem algum problema do pequenas contravenções?
Pirataria, trânsito, como lida com dinheiro e bens?

e) Como é a sua palavra? Seu sim é sim? Seu pretendente tenta se safar de situações e as vezes usa você como fonte de mentira? Seja lembrado de quem é o pai da mentira e veja se é isso mesmo que você quer para a sua vida!

f) Quais são seus planos de futuro? Onde a ambição suplanta a devoção? Qual o lugar de Deus nos planos?
Conheço pessoas que mudam seus planos de vida, pois preferem suprimir a ambição (que em certo sentido é coisa boa para o homem), mas jamais assumem nada que possa interferir na sua devoção ao Senhor!
Concluindo, creio que o padrão aqui estabelecido é mais alto que o que a maioria tem buscado em nossos dias, pois os jovens estão indo atrás de futilidades, estética e coisas do gênero, e com isso, veja tantas vezes alguns perderem tesouros porque pensam com o coração enganoso e não com a mente cativa a Jesus.
Mas como o padrão é alto demais, mas bíblico, creio que antes de procurar essas coisas em alguém para você casar, é bom aplicar primeiramente a você, pois se ele/ela aplicar isso sua vida, certamente não vai buscar nada menos do que o que você deve buscar.


Com amor,

Samuel Vitalino


Fonte: http://www.bibliacomisso.blogspot.com.br

domingo, 1 de julho de 2012

A obra do Espírito Santo

Por: 
Pr. Izaias Sabino

Paulo declara, em Gálatas 4.6,7: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao vosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”. Nestes versos, o apóstolo esclarece para o crente que Deus, depois de adotá-lo na sua família, enviou-lhe o Espírito Santo. O entendimento de Stott a respeito desta afirmação de Paulo é que o propósito de Deus, não foi só garantir a filiação por meio de Jesus, mas de conceder certeza dessa filiação através do seu Espírito. Logo enviou o Espírito para testificar ao coração da igreja o seu novo status de filhos do Deus eterno[1]. 
O autor ainda afirma que “a presença do Espírito Santo que habita em nós, dando testemunho de nossa filiação e inspirando nossas orações, é privilégio precioso de todos os filhos de Deus”[1]. Essa presença do Espírito Santo é de fato muito importante para os cristãos. Não há motivos para duvidar da paternidade divina, pois a caminhada cristã é com a segurança de que ter um pai amoroso que protege e ouve as suas orações. “De fato, Deus nos dá um testemunho interno oriundo do Espírito Santo que faz com que instintivamente chamemos Deus de nosso Pai”[2].
No capítulo 8 da sua Epístola aos Romanos, mais precisamente nos versos de 14-16, Paulo faz uma exposição magistral sobre a digníssima obra do Espírito na nova posição relacional dos crentes com Deus. Paulo declara explicitamente que aqueles “que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. Que os crentes receberam o “Espírito de adoção, baseados no qual clamam: Aba, Pai”. E que o mesmo Espírito Santo dá “testemunho que somos filhos de Deus”.
Essa exposição paulina demonstra a sua percepção da correlação e atuação do Espírito na posição filial dos crentes. É Precioso entender que a terceira pessoa da Trindade Santíssima  faz saber quem faz parte da família de Deus.
A atuação do Espírito na vida dos regenerados é proeminente: Além de testificar a filiação, sua presença sobrepuja a barreira do medo tão presente em algumas seitas que negam a paternidade de Deus. O Espírito ilumina a mente do crente quanto à verdade da Palavra de Deus e conclama para o desenvolvimento de um relacionamento íntimo com Deus na qualidade de filhos amados.
Que o precioso testemunho do Espírito Santo aqueça o teu coração! Amém.


 



[1] STOTT. Op. Cit., p. 99-100.
[2] GRUDEM. Teologia Sistemática, p. 618.



[1]  STOTT. A Mensagem de Gálatas , p. 99-100.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Shai Linne – Louvado seja eu!

 
“O cristianismo hoje está centrado no homem, ao invés de ser centrado em Deus. Deus é obrigado a esperar pacientemente, e até respeitosamente, pelos caprichos dos homens. A imagem de Deus popular atualmente é a de um Pai distraído, lutando em desespero inconsolável para levar as pessoas a aceitarem um Salvador de quem elas não sentem necessidade e em quem possuem muito pouco interesse. Para convencer essas almas autossuficientes a responderem às Suas generosas ofertas, Deus fará quase qualquer coisa; até mesmo usar técnicas de vendas e sussurrar em seus ouvidos do modo mais amigável que possamos imaginar. Essa visão das coisas é, naturalmente, uma espécie de romantismo religioso que, embora muitas vezes use termos elogiosos e por vezes embaraçosos em louvor a Deus, consegue, contudo, fazer do homem a estrela do show.” (A.W. Tozer)
Não quero parecer severo ou crítico demais, mas algum de vocês já notou que a vasta maioria da música que cairia na categoria “Cristã”, na verdade não é a respeito do próprio Deus? Penso que particularmente este é o caso do Hip-hop cristão, mas isso também pode ser visto em outros gêneros. Como posso dizer? Bom, a maioria das músicas que eu ouço é mais sobre NÓS e nossa resposta a Deus, mas não a sobre o próprio Deus. Não me entenda mal. Há um lugar para a música que trata de nossa resposta a Deus, mas quando esse é o caso da esmagadora maioria das músicas, nós lentamente começamos a distorcer a verdade sobre quem é o Deus ao qual deveríamos estar respondendo. A citação de Tozer acima foi escrita mais de 50 anos atrás, mas poderia ter sido escrita ontem. Nossa cultura é extremamente narcisista e antropocêntrica, e parece que muito da música cristã seguiu o exemplo. A Bíblia, contudo, é radicalmente teocêntrica, e eu creio que uma visão radicalmente teocêntrica deveria ser refletida nas canções que compomos. Por causa de nossas tendências antropocêntricas, as canções que cantamos sobre Deus geralmente tratam das coisas de que nós gostamos n’Ele (que normalmente são as coisas que diretamente nos beneficiam ao máximo), como Seu amor, sua misericórdia e seu perdão, etc. Essas coisas são gloriosas e nós devemos, sim, compor canções a respeito delas. No entanto, se só falamos a respeito disso, acabamos criando uma visão de Deus incompleta e deficiente, que não está alinhada à Sua autorrevelação.
Então, por exemplo, quando foi a última vez que vocês ouviram uma música contemporânea que tenha ecoado as antigas canções de Davi sobre a retidão e a justiça de Deus (Sl 11:7)? Qual sucesso cristão nas paradas canta juntamente com Naum que Deus é “ciumento, vingador e cheio de ira” (Naum 1:2-3)? Quem está produzindo músicas que falam do reino soberano de Deus sobre Sua criação (Sl 2 e 115)? Vocês podem me indicar uma canção popular que celebra a onisciência de Deus junto com Ana (1Sm 2:3)? E a eternidade de Deus, juntamente com Moisés (Sl 90:2)? E os julgamentos de Deus, juntamente com Miriã (Êx 15:21)? Essas coisas são ditas com frequência nas Escrituras, particularmente no contexto de canções Bíblicas, e ainda assim elas tendem a estar amplamente ausentes de nossas canções hoje em dia. Não quero dizer que ninguém esteja fazendo isso. Deus tem levantado um número crescente de compositores que estão expondo sobre Seu caráter. Mas quando algo tão fundamental e essencial tem sido tão mal feito, se torna importante que outros se preparem e contribuam. O álbum Os Atributos de Deus* é simplesmente minha tentativa de tal contribuição.
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* Álbum de RAP cristão intitulado de “Os Atributos de Deus”, onde todas as canções falam sobre um ponto do Ser de Deus. Você pode ouvir samples e comprar o CD neste link.
Por Shai Linne © Lyrical Theology. Website: lyricaltheology.blogspot.com

quarta-feira, 13 de junho de 2012

»» Tira o pé do Chão!

Refletindo sobre as músicas tocadas nos cultos evangélicos!

Por Renato Vargens
               
Há pouco participei de um culto onde o momento de louvor com música foi uma pulação só. Depois de mais de uma hora de muitos gritos, saltos e urros espirituais, o pastor imbuído de uma espiritualidade opaca me avisou que o sermão não deveria passar de 30 minutos, isto porque, a hora havia passado e já estava tarde demais.
Pois é, ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliás, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais.
Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos à conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus. Para piorar a situação, as músicas cantadas pelos denominados artistas gospel, nem o nome de Cristo mencionam mais. Veja por exemplo a canção "Tire os pés do chão" do ministério "Toque no Altar" que incentiva o crente a festejar, dançar e tirar os pés do chão.

Quem me viu dizia
Não poderá alcançar
Mas sou irresistível
Não vou mais parar
Este é um novo dia
A nova casa é maior
É tempo de alegria posso festejar
Por tudo o que vi, E o que virá.
Vou tirar os pés do chão, E festejar, festejar!!!
O impossível se rendeu. Eu posso dançar, dançar!!!
Diante das muralhas, Eu vou gritar.
Sobre os portões do inimigo, Vou saltar...

Caro leitor, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade, toca no altar, pede chuva, canta mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo.
Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.
Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração Cristocêntrica extirpando das nossas liturgias essa pulação inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.

Soli Deo Gloria! (Glória Somente a Deus!)

Leia esse e outros textos sobre o assunto em: 

Fonte: http://emquepensar.blogspot.com.br/ (Blog da nossa Congregação)


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A TRINDADE E SUA DINÂMICA RELACIONAL COMO MODELO PARA OS RELACIONAMENTOS NA IGREJA (1ª Parte)


 Por: Izaias Sabino
Para a teologia reformada a Trindade é um dos temas centrais da fé cristã, porque por ela é possível conhecer a essência da relação pessoal e divina de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito. Na Santa Trindade está fundada a doutrina da salvação. E principalmente por ela pode o crente entender a sua própria essência e caminho adequado para uma vida pautada em princípios eternos. Bavinck[1] diz que “não são poucos os que nos dias atuais afirmam que essa doutrina é fruto do argumento humano e de estudo acadêmico e que, por isso, essa doutrina não tem qualquer valor para a vida religiosa”. No entanto, como frisou o próprio Bavinck[2], a igreja cristã sempre teve um pensamento totalmente diferente sobre isso. Ela não viu na doutrina da Trindade uma descoberta de teólogos sutis, nem ainda como muitos afirmavam um produto da mistura do Evangelho com a filosofia grega, mas uma confissão que foi materialmente concluída no Evangelho e em toda a Palavra de Deus – “em resumo uma doutrina que a fé cristã extraiu da revelação de Deus”.
 Por uma questão de brevidade não serão abordados muitos dos ensinamentos extraídos da Trindade. Longe de querer fazer uma conceituação da Trindade, explicando passo a passo o desenvolvimento dessa doutrina no decorrer da história, o que se pretende ao tomar como modelo a Trindade Santíssima é enfatizar as características profundas do relacionamento entre o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, que devem ser o norte da igreja cuja existência está absolutamente ligada às pessoas da Trindade.
Como escreveu Sousa, teólogo contemporâneo:
Buscar compreender a Trindade a partir do que ela é na relação que nutre entre si constitui a grande tarefa da igreja para redescobrir sua própria natureza. [...] Pois nosso ingresso na Igreja de Jesus Cristo dá-se em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ser salvo por Cristo e torna-se membro da sua igreja é penetrar no mistério da Trindade e ser envolvido por um Deus que é comunhão[3].

Os pontos que serão abordados a seguir enfocarão a dinâmica relacional da Trindade Santíssima para servir de parâmetros para toda a existência da igreja.

3.1 A Trindade e seu modelo de Comunhão

O cultivo da verdadeira comunhão, o desenvol­vimento de relacionamentos afe­tivos entre os membros da igreja, deve ser uma realidade constante e marcante em seu viver diário. Horrell[4] comenta que a palavra grega para comunhão – koinonia – na linguagem comum do mundo antigo, descrevia, às vezes, a relação matrimonial. No Novo Testamento, o termo aparece vinte vezes para referir-se à comunicação pessoal com Deus ou, com mais frequência, à relação de um crente com outro cristão (1 Jo 1.3,6,7).
A koinonia cristã [...] significa o mais profundo relacionamento humano por meio do compromisso mútuo, franco e sincero, em torno do amor do nosso Senhor. A necessidade de comunhão é intrínseca à nossa regeneração em Cristo, mas hoje, com freqüência, a igreja vivencia pouca comunhão centrada em Cristo[5].

Ferreira e Myatt[6] ponderam com sabedoria que é preciso lembrar que a igreja foi chamada para viver em comunhão - chamada para refletir a Santa Trindade. Portanto, devem-se encorajar meios criativos para incluir os vários dons espirituais que Deus concede aos cristãos, lembrando que cada cristão é importante no corpo de Cristo. Ao mesmo tempo todos os cristãos devem estar conscientes de suas responsabilidades de submissão mútua e autodoação.
Para imitar o Deus Trino, a igreja local precisa cultivar amizades profundas. Por isto, deve-se investir em grupos pequenos, retiros e outras formas de comunhão que contribuam para reunir em amor o povo de Deus, exaltando a alegria e o amor da Trindade e prefigurando a comunhão abençoada do paraíso. Por outro lado, o mesmo cuidado mútuo não está limitado aos cristãos na igreja local. O senso de unidade e diversidade no corpo de Cristo deveria estender-se às outras igrejas cristãs que não devem ser vistas como uma espécie infeliz de competição denominacional, mas como congregações companheiras na igreja universal do Senhor Jesus.
Ferreira e Myatt[7], ainda comentando sobre a beleza incomparável do relacionamento da Trindade, afirmam: “A comunhão entre elas é íntima, inseparável, recíproca e continua [...]. Cada uma é completamente conhecida e amada pelas outras. O amor de Deus é um amor santo, expresso eternamente entre Pai, Filho e Espírito Santo”. Esse exemplo de amor que se encontra na Trindade convida a refletir sobre a dinâmica relacional, conclama a igreja a viver em uma comunhão mais profunda com os irmãos, objetivando imitar em tudo a sua essência. Como afirmou Sousa[8], “O ser de Deus é um ser relacional, e sem o conceito de comunhão é impossível falar sobre a realidade de Deus. A partir da Trindade nada existe por si mesmo, individualmente. Comunhão é a razão de ser do homem”. A Trindade determina, portanto, a razão de ser e o padrão de viver do cristão, isto é, relacional, que busca viver em comunhão e santidade em prol da unidade.
O teólogo Sousa, ao falar sobre a vocação cristã que na sua concepção é essencialmente relacional, afirma o seguinte:
O convite ao discipulado é um convite à comunhão pessoal com Deus e com a família da fé. O apóstolo João, na sua primeira epístola, expõe claramente este princípio ao definir Deus como sendo amor (1 Jo 4.8), o que significa que Deus subsiste como uma Trindade onde o amor é compartilhado. Ir contra o amor é ir contra Deus. Negar a comunhão, optar pelo individualismo, é negar a natureza essencial de Deus e nossa vocação cristã[9].

Essa importante observação de Sousa deixa clara a profundidade da vocação dos filhos de Deus. Na comunhão que se percebe na Trindade tudo é participativo, não há solidão. O desafio daqueles que fazem parte da família de Deus é de ser uma comunidade autêntica que não se baseia em simpatias ou conhecimento humano, mas em princípios espirituais e eternos, conforme apresentados nas Sagradas Escrituras. Uma família que não partilha da comunhão com os irmãos, está doente e vivendo distante de seus ideais e valores cristãos.
No salmo 133, o salmista, ao imaginar o momento de adoração do povo de Deus, exclama com muita suavidade: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Salmo 133.1).  Sproul[10], afirma bem que “viverem unidos refere-se ao relacionamento entre os crentes, ao adorarem o Senhor no monte Sião. Através de Jesus Cristo, o Novo Testamento inclui, com eles, povos provenientes de todas as regiões do mundo (Jo 10.16; Rm 1.5; Ef 2.11-22)”. Essa comunhão precisa ser resgatada na igreja. Como família espiritual que serve ao Deus trino faz-se necessário desenvolver relacionamentos que, de fato, faça a diferença e que os identifiquem como comunidade originária do Pai, do Filho e do Espírito Santo. “A comunhão autêntica é uma comunidade trinitária. Nós os crentes participamos em comum no Pai, no Filho e no Espírito Santo”[11].
 Horrel[12] faz um relevante comentário ao falar sobre a comunhão na igreja: No seu entendimento o amor uns pelos outros é a apologética mais convincente para esse mundo cético e a que mais o desarma do ceticismo (Jo 13.35). A comunhão é importante, pois mostra o amor por Deus por meio de uns pelos outros. Ela é um prenúncio do que será a verdadeira comunhão celestial da qual todos os cristãos compartilharão.
Este é, portanto, o grande desafio de todos os filhos de Deus que buscam viver a altura do amor de Deus e de exalar o bom perfume de Cristo, sendo instrumentos de impacto na sociedade. Devem estar profundamente comprometidos com o desejo de praticar uma comunhão verdadeira, tendo como base o exemplo incomparável da santíssima Trindade.
É a partir da Trindade, como bem ressaltou Sousa[13], que se descobre que a comunhão e a amizade com Deus e o próximo não são mais uma opção num mundo cada vez mais individualista e autônomo. A comunhão e a amizade são a razão de ser do próprio homem. Deus é comunhão e seus filhos foram criados para refletir essa comunhão. O Pai é Pai porque tem um Filho. É o Filho que define a identidade do Pai. Da mesma forma, é o Pai quem define a identidade do Filho. Quando Jesus afirmou “eu e o Pai somos um”, ele estava evidenciando a indivisibilidade da Trindade e a impossibilidade do individualismo autônomo.
Por outro lado, ele afirma a mesma coisa quando diz “quem vê a mim, vê o Pai’. “É impossível ver o Pai sem ver o Filho, ou vice-versa, como também é impossível ver o Espírito sem ver o Pai e o Filho. É assim que Deus se revela nas Escrituras, como um ser-em-comunhão”[14].
Horrel[15] narra um episódio marcante sucedido em um retiro de solteiros, em que o tema do estudo foi Servir uns aos outros. Havia umas trinta pessoas em pé, em círculo, na grama, ao redor de um esguicho, uma esponja um sabão. Uma jovem de vinte e poucos anos pegou a mão de outra jovem a levou-a para o centro do círculo. Enquanto lavava seus pés, chorando, pediu-lhe perdão por seus ciúmes e suas fofocas contra ela. Depois a segunda lavou os pés da primeira. Um pastor colocou seu filho de seis anos no centro e lavou os pés dele, prometendo que seria um pai melhor. Um jovem permaneceu resistente, não se envolvendo, até que outro o pegou pelo braço, trouxe-o ao centro, lavou-lhe os pés, mostrando o amor cristão em atos. O jovem resistente foi desarmado, chorou muito. Nunca se sentira amado e aceito. Como resultado, este jovem resistente ao evangelho tornou-se missionário em diversas regiões do mundo, desde a Amazônia peruana até a Sibéria.          
A síntese de tudo isso é que a comunhão de amor é a essência da Trindade e, portanto a razão de ser da humanidade, em particular do cristão, que só o é pela Trindade. Logo, a compreensão da Trindade questiona o individualismo e repele o privatismo fragmentário pós-moderno. Se a igreja, em sua dinâmica relacional, não vivencia a profunda comunhão entre os seus membros, então ela não está vivendo segundo os propósitos estabelecidos pelo Senhor para a sua Igreja.


[1] BAVIINCK, Hermann. Teologia sistemática, p.157.
[2] Ibidem p. 157-158.
[3] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p. 60.
[4] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja Contemporânea.
[5] Ibidem, p. 126,127.
[6] FERREIRA, Franklin e MYATT, Alan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, p.187.
[7] Ibidem p.187.
[8] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p.62
[9] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã, p.62.
[10] SPROUL, R. C. Biblia de Estudo de Genebra, p. 712. (Comentário de rodapé)
[11] STOTT, Jonh R. W. A Mensagem de Gálatas, p. 6.
[12] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja contemporânea.
[13] SOUSA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração: ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã.
[14] Ibidem, p. 67.
[15] HORRELL, John Scott. A Essência da Igreja: Fundamentos do Novo Testamento para a igreja Contemporânea, p. 129.