terça-feira, 9 de outubro de 2012

O-Evangelho-que-Envergonha - Solano Portela # Fiel2012

Paulo em Romanos 1:15-17 afirma que ele não se envergonha do Evangelho. Isso mostra que o Evangelho verdadeiro pode envergonhar. Por outro lado, o falso evangelho deve envergonhar! São vergonhas diferentes para evangelhos diferentes.
O Evangelho verdadeiro pode envergonhar
Paulo não tinha vergonha “do escândalo da cruz”, pois o evangelho verdadeiro é de Cristo, tem poder para salvar e gera crença genuína. Já o evangelho falso troca o conteúdo da cruz, por um conteúdo popular e aceitável, quando não o reduz a uma mera metodologia e, portanto, não procede de Cristo, não tem poder para salvar e não gera fé genuína.
Paulo exorta Timóteo a não se envergonhar do Evangelho não popular, daquele que é perseguido pelo mundo, que gera algemas, assim como ele não se envergonhava (2 Tm 1:7,8,12,16). Talvez Timóteo estivesse covarde diante da oposição do mundo. Temos que sempre estar atentos à pressão da aceitabilidade social. Muitas vezes, desejamos ser bem aceitos pelo mundo, contudo a pregação do Evangelho é loucura aos padrões do mundo. O remédio para a covardia é confiar no espírito de poder, amor e moderação (2 Tm 1:7) e não gritar mais alto.
O evangelho falso deve envergonhar
O Evangelho de Deus é perfeito e nada temos que adicionar a ele. A marca do falso evangelho é, justamente, a adição (legalismo) ou eliminação (antinomianismo) de elementos essenciais ao verdadeiro Evangelho. Devemos nos envergonhar deste falso evangelho, mesmo que ele fale de Cristo, ele o fará de forma errada.
Na epístola aos Gálatas, Paulo argumenta em três linhas: (1) o argumento histórico (cap. 1 e 2), (2) o argumento teológico (3 a 5.1) e (3) o argumento moral (5.2 a 6:18). No primeiro argumento, Paulo apresenta um testemunho pessoal (v. 1-6) e um apelo pessoal, mostrando a irracionalidade do falso evangelho (7-12).
10 características do Evangelho verdadeiro
Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gl 5:1-6).
  1. O Evangelho verdadeiro liberta;
  2. O Evangelho verdadeiro destrói o jugo da escravidão;
  3. O Evangelho verdadeiro traz proveito real em Cristo;
  4. O Evangelho verdadeiro não depende de sinais físicos (circuncisão);
  5. O Evangelho verdadeiro está ligado a Cristo pela graça e não pelo esforço humano;
  6. O Evangelho verdadeiro procede do Espírito Santo – é uma obra sobrenatural de Deus;
  7. O Evangelho verdadeiro justifica;
  8. O Evangelho verdadeiro é recebido pela fé;
  9. O Evangelho verdadeiro está acima dos rudimentos rituais, das sombras;
  10. O Evangelho verdadeiro valoriza a fé que atua pelo amor.
10 características do evangelho falso
Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação. Eu, porém, irmãos, se ainda prego a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? Logo, está desfeito o escândalo da cruz. Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia. (Gl 5:7-12)
  1. O evangelho falso impede a carreira da fé.
  2. O evangelho falso é persuasivo e atraente.
  3. O evangelho falso não procede de Deus, daquele que chama, mas de homens.
  4. O evangelho falso começa com pequenas coisas – pouco de fermento. “Ah, ele prega algumas coisas erradas, algumas heresias, mas a pregação da semana passada foi muito boa”.
  5. O evangelho falso não produz harmonia de mente, mas sentimentos contrários ao verdadeiro Evangelho.
  6. O evangelho falso perturba, traz inquietação, diferente da paz de Cristo (Jo 14:17).
  7. O evangelho falso traz condenação, gerando uma esperança falsa.
  8. O evangelho falso persegue os verdadeiros cristãos. Paulo pregava o Evangelho verdadeiro, mas mesmo assim era perseguido.
  9. O evangelho falso destrói a obra de Cristo na cruz e se escandaliza de sua pureza, buscando desfazer o escândalo da cruz.
  10. O evangelho falso incita à rebelião contra o verdadeiro evangelho
Aplicação
De qual evangelho você se envergonha? Por mais piedosos que pareçam, eu me envergonho dos seguintes falsos evangelhos:
Eu me envergonho do evangelho católico romano que prega a salvação pela fé e obras e a inerrância das tradições.
Eu me envergonho do evangelho das seitas que apresentam escritos com autoridade superiores à Escritura que são frutos de uma nova revelação.
Eu me envergonho do evangelho neopentecostal que coloca as doutrinas da fé cristã em um quarto escuro e pouco frequentado e cria interpretações estranhas sobre gritos, agitação, unção, etc.
Eu me envergonho do evangelho neopagão que adiciona ao linguajar cristão cerimônias estranhas (cultos em montes, orações em cima de peças de roupas, marchas com petições escritas em sandálias e outros fetiches pagãos).
Eu me envergonho do evangelho dos vendedores de fórmulas de felicidade e de marqueteiros de manuais de prosperidade que se esquecem de que o Deus que pode abençoar é o mesmo que diz que neste mundo teremos aflições
Eu me envergonho do evangelho dos curandeiros que valorizam o poder do personalismo e uma maratona de catarse coletiva.
Eu me envergonho do evangelho de certos caminhos da “graça” que fala muito do amor de Deus, mas apresenta uma graça barata que não é bíblica, confortando o pecador em seu pecado de vez de levá-lo ao arrependimento.
Eu me envergonho do evangelho de certos tradicionalistas que se prende à noções teológicas históricas escravizadoras e não especificadas nas Escrituras.
Eu me envergonho do evangelho metodológico de certos evangélicos que acham a pregação da Palavra sem poder a menos que seja aplicadas técnicas modernas – como se o poder estivesse na metodologia e não no Espírito.
Eu me envergonho do evangelho judaizante moderno de judeus messiânicos extremados que se colocam acima dos outros cristãos e levantam barreiras que o Messias já derrubou.
Eu me envergonho do evangelho neo-ortodoxo que separa a Palavra dos fatos da história e que prega um subjetivismo que nada afirma e nada constrói.
Eu me envergonho do evangelho dos liberais teológicos que mantêm o linguajar cristão, mas considera a bíblia um mero registro humano cheio de falhas.
Eu me envergonho do evangelho dos teólogos relacionais que pregam um deus impotente, sujeito às maquinações humanas e às leis da natureza, que não tem um plano, mas vive sujeito à frustração da busca de um relacionamento com um homem soberano.
Senhor, reafirma e fortalece a nossa fé! Livra-nos do evangelho falso que anula o sacrifício de Cristo Jesus. Que nos firmemos na liberdade, fugindo do falso evangelho que envergonha. Que sigamos a Palavra de Deus em tudo e proclamemos o verdadeiro evangelho.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

José do Egito, "Um Político Ético e Decente"


“Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; ...Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito”. (Gn 41.40,41)


A história de José é uma das que têm mais rico significado no Antigo Testamento: um menino mimado vendido como escravo ao Egito, devido à inveja de seus irmãos; saiu-se admiravelmente bem na adversidade, e de um aprisionamento injusto se elevou à mais alta posição governamental. Mediante planejamento sábio, ele evitou a provação da fome, dessa maneira livrando o Egito, a Palestina e a própria família de morrerem de fome.

O poder não lhe subira à cabeça. Todo o mal praticado contra ele por seus irmãos era apenas parte do plano secreto de Deus, arquitetado para o bem, não só de José, mas também de seus ímpios irmãos. E José foi submisso a este plano divino, entendendo que ele mesmo era um instrumento da providencia de Deus para a salvação do povo eleito. E, mais uma vez, podemos perceber a integridade no caráter de José. Por bem menos, hoje em dia, algumas pessoas em posições de poder agem de forma vingativa e mesquinha.

José pensou no beneficio da nação inteira, não privilegiando os mais ricos ou os que exerciam cargos importantes. A regra foi igual para todos. Um outro diferencial que podemos destacar entre José e muitos políticos é o não-enriquecimento próprio, com desvios de recursos públicos. Muitos são os escândalos de que temos conhecimento, envolvendo por vezes até mesmo políticos evangélicos, descobrindo-se que alguns buscam inclusive benefícios ou privilégios para as suas igrejas. Que bom testemunho eles poderiam dar se agissem com caráter semelhante ao de José, temendo a Deus acima de qualquer coisa ou interesse.

Siga o exemplo de José, exija dos que governam o mesmo! Ore,  para que Deus levante pessoas de Caráter, para dirigir nosso Pais, Estado, e Cidade!

(Extraído da Revista Expressão,O Século 21 Cidadania Cristã - Uma perspectiva Reformada/ Com adaptações.)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Os Testes do Amor a Deus [ 2/6] -Thomas Watson

4. Magnanimidade
Um outro fruto do amor é magnanimidade. O amor é valoroso, ele transforma a covardia em coragem. O amor faz com que alguém se aventure pelas maiores dificuldades e perigos. A medrosa galinha voa contra um cachorro ou uma serpente para defender os seus pintinhos. O amor infunde um espírito de bravura e firmeza no cristão. Aquele que ama a Deus permanecerá firme por Sua causa e será um defensor Dele. “Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4.20). Aquele que é temeroso de confessar a Cristo não tem senão um pequeno amor a Ele. Nicodemos veio furtivamente a Cristo, à noite (Jo 3.2). Ele estava temeroso de ser visto com Ele à luz do dia. O amor lança fora o medo. Assim como o sol dissipa neblinas e vapores, assim o amor divino em uma grande medida dissipa o temor carnal. Acaso ama a Deus aquele que consegue ouvir Suas benditas verdades serem desafiadas e permanecer em silêncio? Aquele que ama o seu amigo permanece firme em seu favor e o defende quando ele é envergonhado. Acaso Cristo se apresenta em nosso favor nos céus, e nós temeremos apresentar-nos em Seu favor na terra? O amor impulsiona um cristão, ele incendeia o seu coração com zelo e o fortalece com coragem.
5. Sensibilidade
O quinto fruto do amor é sensibilidade. Se nós amamos a Deus, os nossos corações sofrem diante da desonra a Deus provocada pelos homens ímpios. Ver não apenas as represas da religião, mas também da moralidade, serem demolidas, e uma torrente de impiedade se aproximando; ver os sabbaths de Deus profanados, Seus juramentos violados, Seu nome desonrado; se há algum amor a Deus em nós, deveríamos preocupar-nos profundamente com essas coisas. A alma justa de Ló estava afligida “pelo procedimento libertino daqueles insubordinados” (2Pe 2.7). Os pecados de Sodoma eram como muitas lanças perfurando a sua alma. Quão distantes estão de amarem a Deus aqueles que de modo algum são afetados com a Sua desonra? Se eles têm tão somente paz e negócios, nada lhes causa preocupação. Um homem que está completamente bêbado jamais se alarma ou é afetado, ainda que outro homem esteja sangrando de morte ao seu lado; assim também, muitos, estando embriagados com o vinho da prosperidade, não são afetados quando a honra de Deus é golpeada e Suas verdades estão sangrando. Se os homens amassem a Deus, eles se afligiriam ao ver Sua glória sofrendo e a própria religião tornando-se um mártir.
6. Ódio contra o pecado
O sexto fruto do amor é o ódio contra o pecado. O fogo expurga as impurezas do metal. O fogo do amor expurga o pecado. “Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos?” (Os 14.8, ARC). Aquele que ama a Deus não terá qualquer envolvimento com o pecado, senão para fazer guerra contra ele. O pecado atinge não apenas a honra de Deus, mas o Seu ser. Acaso ama o seu soberano aquele que abriga um traidor da coroa? Acaso é um amigo de Deus aquele que ama o que Deus odeia? O amor de Deus e o amor do mundo não podem habitar no mesmo lugar. As afeições não podem caminhar para duas direções contrárias ao mesmo tempo. Um homem não pode amar a saúde e amar também o veneno; assim ninguém pode amar a Deus e também o pecado. Aquele que tolera qualquer pecado secreto em seu coração está tão distante de amar a Deus quanto o céu e a terra distam um do outro. 

Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson 

sábado, 8 de setembro de 2012

Se eu tiver fé, poderei fazer mais milagres do que Jesus? DITOS DIFÍCEIS DE JESUS - IV


Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai (João 14.12).


Jesus fez esta promessa aos seus discípulos na noite em que foi traído, antes de ir com eles para o Getsêmani, durante o jantar em que instituiu a Ceia. O Senhor falou que iria para o Pai preparar lugar para os discípulos (Jo 14.1-4), e em seguida explicou como eles chegariam lá (14.5-6). Respondendo ao pedido de Filipe para que lhes mostrasse o Pai, Jesus explica que Ele está de tal forma unido ao Pai, que vê-lo é ver o Pai (14.7-9). E como prova de que Ele está no Pai e o Pai está nEle, Jesus aponta para as obras que realizou (14.10-11). E em seguida, faz esta promessa, “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).
Este dito de Jesus é difícil porque parece prometer que seus discípulos seriam capazes de realizar os milagres que Ele realizou, e até mesmo maiores, se somente cressem nEle – e pelo que lemos no livro de Atos e na história da Igreja, esta promessa não parece ter-se cumprido. Compreender o real sentido desta passagem tem se tornado ainda mais crucial pois ela tem sido usada, após o surgimento do movimento pentecostal e seus desdobramentos, para defender modernas manifestações miraculosas, iguais e maiores dos que as efetuadas pelo próprio Jesus Cristo.
Há duas principais tentativas de interpretar este dito de Jesus:

1. As “obras” são os milagres físicos realizados por Jesus
A interpretação popular e mais comum, aceita pela maioria dos evangélicos no Brasil (esta maioria, por sua vez, é composta na maior parte por pentecostais e neopentecostais), é que Jesus realmente prometeu que seus discípulos seriam capazes de realizar os mesmos milagres que Ele realizou, e mesmo maiores. É importante notar que muitos membros de igrejas históricas, como presbiterianos, batistas, congregacionais e episcopais, entre outros, também foram influenciados por este ponto de vista. Nesta interpretação, a palavra “obras” é entendida exclusivamente como se referindo aos milagres físicos que Jesus realizou, como curas, exorcismos e ressurreição de mortos. Os adeptos desta interpretação entendem que existem hoje pastores, obreiros e crentes com capacidade para realizar os mesmos milagres de Jesus – e até maiores. Defendem que curas, visões, revelações e de outras atividades miraculosas estão acontecendo no seio de determinadas igrejas nos dias de hoje, exatamente como aconteceram nos dias de Jesus e dos apóstolos. E desta perspectiva, se uma igreja evangélica não realiza estes sinais e prodígios, significa que ela é fria, morta, sem fé viva em Jesus.
Apesar desta interpretação parecer piedosa e cheia de fé (e é por isto que muitos a aceitam), tem algumas dificuldades óbvias.
Primeira, apesar dos milagres que realizaram, nem os apóstolos, que foram os cristãos mais próximos desta promessa, parecem ter suplantado aqueles de Jesus, em número e em natureza. Jesus andou sobre as águas, transformou água em vinho, acalmou tempestades e suas curas, segundo os Evangelhos, atingiram multidões. Não nos parece que os apóstolos, conforme temos no livro de Atos, suplantaram o Mestre neste ponto.
Segundo, a História da Igreja não registra, após o período apostólico, a existência de homens que tivessem os mesmos dons miraculosos dos apóstolos e que tenham realizado milagres ao menos parecidos com os de Jesus. Na verdade, os grandes homens de Deus na História da Igreja nunca realizaram feitos miraculosos desta monta, como Agostinho, Lutero, Wycliffe, Calvino, Bunyan, Spurgeon, Moody, Lloyd-Jones, e muitos outros. Os pregadores pentecostais que afirmam ser capazes de realizar milagres semelhantes, e ainda maiores, não têm um ministério de cura e milagres consistente e ao menos semelhantes aos de Jesus. O famoso John Wimber, um dos maiores defensores das curas modernas, morreu de câncer na garganta. Antes de morrer, confessou que nunca conseguiu curar uma criança com problemas mentais, e nem conhecia ninguém que o tivesse feito.  Os cultos de cura de determinadas igrejas neopentecostais alegam milagres que são de difícil comprovação.
Terceiro, esta interpretação deixa sem explicação o resto da frase de Jesus: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).
E por último, esta interpretação implica que os cristãos que não fizeram os mesmos milagres que Jesus fez não tiveram fé suficiente, e assim, coloca na categoria de crentes “frios” os grandes vultos da História da Igreja e milhões de cristãos que nunca ressuscitaram um morto ou curaram uma doença.
Esclareço que não estou dizendo que Deus não faz milagres hoje. Creio que Ele faz, sim. Creio que Ele é poderoso para agir de forma sobrenatural neste mundo e que Ele faz isto constantemente. O que estou questionando é a interpretação desta passagem que afirma que se tivermos fé faremos milagres maiores do que aqueles realizados por Jesus.

2. As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo
A outra interpretação entende que Jesus se referia obra de salvação de pecadores, na qual, obviamente, milagres poderiam ocorrer. Os principais argumentos em favor desta interpretação são estes:

A. A expressão “quem crê em mim” é usada consistentemente no Evangelho de João para se referir ao crente em geral, em contraste com o mundo que não crê.

Examine as passagens abaixo:
Jo 6:35  Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
Jo 6:47  Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
Jo 11:25-26  Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?
Jo 12:46  Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

Fica claro pelas passagens acima que aqueles que crêem em Jesus são os crentes em geral, e que a fé em questão é a fé salvadora. Por analogia, a expressão “quem crê em mim” em João 14.12 também se refere a todo crente, e não àqueles que teriam uma fé tão forte que seriam capazes de exercer o mesmo poder de Jesus em realizar milagres – e até suplantá-lo!

B. O termo “obras” referindo-se às atividades de Jesus, é usado no Evangelho de João para se referir a tudo aquilo que Ele fez, conforme determinado pelo Pai, para mostrar Sua divindade, para salvar pecadores e para glorificar ao Pai.
Veja estas passagens: Jo 4:34; 5:20,36;  6:28,29; 7:3; 9:3,4; 10:25,32,33,37,38; 14:10,11; 14:12; 15:24; 17:4.
O termo “obras” não se refere exclusivamente aos milagres de Jesus, muito embora em algumas ocorrências os inclua. No contexto da passagem que estamos examinando, Jesus usa o termo “obras” para se referir às palavras que Ele tem falado: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10). É evidente, portanto, que não se pode entender o termo “obras” em Jo 14.12 como se referindo exclusivamente aos milagres físicos realizados por Jesus. O termo é muito mais abrangente e se refere à sua toda atividade terrena realizada com o fim de salvar pecadores: palavras, atitudes e, sem dúvida, milagres.

C. A frase “porque eu vou para junto do Pai” fornece a chave para entender este dito difícil.
Enquanto Jesus estava neste mundo, sua ação salvadora era limitada pela sua presença física. Seu retorno à presença do Pai significava a expansão ilimitada do Reino pelo mundo através do trabalho dos discípulos, começando em Jerusalém e até os confins da terra. Como vimos, as “obras” que Ele realizou não se limitavam apenas aos milagres físicos, mas incluíam a influência dos mesmos nas pessoas e a pregação do Reino efetuada por Jesus. Estas obras, porém, estavam limitadas pela Sua presença física em apenas um único lugar ao mesmo tempo. As “obras maiores” a ser realizadas pelos que crêem devem ser entendidas deste ponto de vista: os discípulos, através da pregação da Palavra no mundo todo, suplantaram em muito a área de atuação e influência do Senhor Jesus, quando encarnado.

Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja.
O dito de Jesus, portanto, não está prometendo que qualquer crente que tenha fé suficiente será capaz de realizar os mesmos milagres que Jesus realizou e ainda maiores – a Escritura, a História e a realidade cotidiana estão aí para contestar esta interpretação – e sim que a Igreja seria capaz de avançar o Reino de Deus de uma forma que em muito suplantaria o que Jesus fez em seu ministério terreno. Os milagres certamente estariam e estão presentes, não como algo que sempre deve acontecer, dependendo da fé de alguns, e não por mãos de pretensos apóstolos e obreiros superpoderosos, mas como resposta do Cristo exaltado e glorificado às orações de seu povo.
 
Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


Fonte:http://emquepensar.blogspot.com.br/
Fonte original: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/08/se-eu-tiver-fe-poderei-fazer-mais.html


terça-feira, 4 de setembro de 2012

9 Sugestões para Estimular o Evangelismo



 No Curso Fiel de Liderança, (mês de agosto/2012), Mike McKinley falou sobre Evangelismo. Em uma das palestras, ele nos alertou mostrando sete desculpas que costumamos dar para não evangelizarmos. O blog Voltemos Ao Evangelho fez um resumo delas (confira aqui). Contudo, devido ao cronograma, McKinley não conseguiu terminar sua palestra, onde ele iria dar nove sugestões para estimular o evangelismo.

Confira as relevantes sugestões!

1) Arrependa-se

Você precisa se arrepender da sua infidelidade no evangelismo, confessar a Deus a verdade sobre seu egoísmo, preguiça ou medo e se alegrar no Evangelho que lhe promete o perdão dos pecados.

2) Ore

Este é um ótimo lugar para começar. Ore para que Deus conceda oportunidades para conversar com incrédulos em seu trabalho. Ore para que Deus faça florescer as sementes do Evangelho que você plantou em sua família e em seus amigos. Lembre-se que não convertemos ninguém. Não temos este poder. Deus é quem converte. Então, precisamos nos achegar a Deus, em nossa fraqueza, pedindo que Ele glorifique seu nome e, em misericórdia, salve pecadores.

3) Planeje

Uma dica simples e prática. Lembre-se que o evangelismo não acontece por acidente. Faça um plano. Peça ajuda a um amigo e preste contas a ele. Pela causa do evangelho, sente-se com sua esposa, pense em sua vizinhança e faça planos para construir relacionamentos com uma família que vive perto.

4) Pare de dar desculpas

Você pode ser a única testemunha de Cristo que algumas pessoas terão na vida inteira. Cuidado para não esconder debaixo da tentativa de “ser educado” um coração covarde. Não negue sua responsabilidade.

5) Arrisque

Obedeça a Deus mesmo quando você tem certeza de que não irão ouvi-lo. Tome passos pequenos de obediência, como convidar um amigo para uma reunião ou entregar um livro ou compartilhar um testemunho… algo que possa gerar uma oportunidade para você compartilhar o evangelho.

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6) Procure por oportunidades

Use, pelo dia, as lentes do evangelho. Em minha experiência, quando estou orando sobre evangelismo eu fico mais atento à oportunidades evangelísticas e, de repente, as conversas aleatórias do dia a dia (conversar com alguém no ponto de ônibus, no elevador, no cafezinho) deixam de ser aleatórias. Elas parecem se tornar respostas de oração e oportunidades de compartilhar a Cristo. Então, procure pelas portas que Deus tem aberto para você.

7) Decida amar as pessoas mais que sua própria reputação

A dica já explica tudo. Ore para que Deus faça isso em sua vida, senão você só evangelizará quando se sentir “100% seguro”.

8) Tema

Tememos aos homens, mas não deveríamos. O que nos falta é um termo apropriado do Senhor. O que escolheremos: nossa reputação com nossos companheiros de trabalho ou nossa fidelidade ao Senhor? Deus é nosso Criador, Juiz e Redentor. Ele merece total comprometimento e obediência. Nenhum ser humano deveria nos fazer temer quando vivemos nossas vidas diante de um Deus santo e amoroso.

9) Considere

Considere a Cristo (Hebreus 12:3) – o que Deus fez em Cristo Jesus e o custo que Ele pagou. Quando não fazemos isso perdemos nossa perspectiva evangelística – nossos corações esfriam, nossas mentes se distraem e nossos lábios se calam. Lembremos que o que está em jogo no evangelismo é primariamente a glória de Deus. Quando nos silenciamos, falhamos em dar a glória que Lhe é devida. Mas quando nossos corações estão transbordando do conhecimento da glória de Deus em Cristo, nossas bocas falarão deste transbordar.

Fonte: http://www.blogfiel.com.br
Observação: Com adaptação

terça-feira, 14 de agosto de 2012

OS TESTES DO AMOR A DEUS - Thomas Watson


Precisamos testar a nós mesmos, imparcialmente, para saber se estamos entre o número daqueles que amam a Deus. Para que possamos nos avaliar – uma vez que o nosso amor será melhor visto por seus frutos –, eu apresentarei catorze sinais, ou frutos, do amor a Deus, e compete a cada um de nós averiguarmos cuidadosamente se qualquer destes frutos está crescendo em nosso jardim.
1. Meditação
O primeiro fruto do amor é a meditação da mente em Deus. Aquele que está em amor tem sempre os seus pensamentos voltados para o objeto de sua afeição. Aquele que ama a Deus é arrebatado e transportado pela contemplação de Deus. “Quando acordo, ainda estou contigo” (Sl 139.18, ARC). Os pensamentos são como viajantes na mente. Os pensamentos de Davi seguiam a estrada celestial: “ainda estou contigo”. Deus é o tesouro, e onde está o tesouro, aí está o coração. Assim nós podemos testar o nosso amor a Deus. Em que se concentram os nossos pensamentos? Podemos nós dizer que somos arrebatados de deleite quando pensamos em Deus? Os nossos pensamentos têm asas? Estão eles elevados às alturas? Contemplamos nós Cristo e a glória? Oh, quão distantes estão de serem amantes de Deus aqueles que sequer raramente pensam em Deus! “Que não há Deus são todas as suas cogitações” (Sl 10.4). Um pecador empurra Deus para fora dos seus pensamentos. Ele nunca pensa em Deus, senão com horror, assim como o prisioneiro pensa acerca do juiz.
2. Comunhão
O próximo fruto do amor é o desejo pela comunhão. O amor deseja familiaridade e relacionamento. “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!” (Sl 84.2). O rei Davi, ao ser impedido de estar na casa de Deus, no tabernáculo, o emblema visível da Sua presença, suspira por Deus e, em um surto santo de desejo, clama pelo Deus vivo. Dois amantes estão constantemente conversando um com o outro. Se nós amamos a Deus, nós prezamos por Suas ordenanças, porque ali nós nos encontramos com Deus. Ele fala conosco em Sua Palavra, e nós falamos com Ele em oração. Assim examinemos o nosso amor a Deus. Desejamos nós a intimidade da comunhão com Deus? Amantes não podem estar muito distantes um do outro. Assim também o amor a Deus é dotado de uma afeição santa; aqueles que O amam não conseguem ficar longe Dele. Eles podem suportar a falta de qualquer coisa, exceto da presença de Deus. Eles podem viver sem saúde e sem amigos, eles podem estar felizes sem uma mesa farta, mas eles não podem estar felizes sem Deus. “Não escondas de mim a tua face, para que eu não seja semelhante aos que descem à cova” (Sl 143.7). Os amantes têm os seus desmaios. Davi estava pronto para desfalecer e morrer, caso não tivesse sequer uma visão de Deus. Aqueles que amam a Deus não podem estar satisfeitos em ter ordenanças, a menos que possam desfrutar de Deus nelas; o contrário seria para eles como lamber o vidro, e não o mel.
O que nós devemos dizer àqueles que passam suas vidas inteiras sem Deus? Eles pensam que Deus pode ser dispensado: reclamam que necessitam de saúde e negócios, mas não que necessitam de Deus! Homens ímpios não têm conhecimento de Deus; e como podem amar Aquele a quem sequer conhecem? Não somente isso, mas, o que é pior, eles não desejam conhecê-Lo. “E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos” (Jó 21.14). Os pecadores evitam o conhecimento de Deus, eles consideram a Sua presença como um fardo; e são esses amantes de Deus? Podemos afirmar que ama o seu marido aquela mulher que não pode suportar estar na presença dele?
3. Tristeza
Um outro fruto do amor é a tristeza. Onde há amor a Deus, há um lamentar-se pelos nossos pecados de dureza contra Ele. Um filho que ama o seu pai não pode senão chorar por ofendê-lo. O coração que arde em amor derrama-se em lágrimas. Oh! Como eu poderia abusar do amor de um Salvador tão precioso?! Não sofreu o bastante o meu Senhor sobre a cruz, para que eu O faça sofrer ainda mais? Devo eu dar-Lhe mais fel e vinagre para beber? Quão desleal e insincero eu tenho sido! O quanto tenho eu entristecido o Seu Espírito, negligenciado os Seus mandamentos reais, desprezado o Seu sangue! Isso abre uma veia de tristeza piedosa e faz o coração bater novamente. “Então, Pedro […] saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75). Quando Pedro pensou em como Cristo afetuosamente o amava; em como ele havia sido levado até o monte da transfiguração, onde Cristo lhe mostrara a glória do céu em uma visão; pensar que ele havia negado a Cristo depois de ter recebido Dele tão notável amor, isso partiu o seu coração de tristeza; ele saiu e chorou amargamente.
Assim testemos o nosso amor a Deus. Nós vertemos as lágrimas da tristeza piedosa? Nós lamentamos a nossa dureza contra Deus, o nosso abuso de Sua misericórdia, a fato de não multiplicarmos os nossos talentos? Quão distantes estão de amar a Deus aqueles que pecam diariamente sem que isso golpeie o seu coração! Eles possuem um mar de pecados, e sequer uma gota de tristeza. Eles estão tão distantes de se preocuparem com isso, que fazem piada de seus pecados. “Quando tu fazes mal, então, andas saltando de prazer” (Jr 11.15, ARC). Ó miseráveis! Cristo sangrou pelo pecado, e vocês riem dele? Esses tais estão distantes do amor a Deus. Acaso ama o seu amigo aquele que ama causar-lhe dano?

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/08/thomas-watson-os-testes-do-amor-a-deus-16/
Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A família na época pós-moderna

 
                                                                                    
                                                                                                   
 Por Hernandes Dias Lopes

A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas. Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!


Fonte: http://emquepensar.blogspot.com.br/
Fonte original: http://hernandesdiaslopes.com.br/2012/05/a-familia-na-epoca-pos-moderna/