segunda-feira, 17 de março de 2014

Procuram-se Membros de Igreja que Conspiram, para o Bem - Greg Gilbert


Infelizmente, uma das figuras presentes dentro de nossas igrejas é o membro “das intrigas”. Gosta de reclamar de tudo, jogar uns contra os outros e menospreza aos semelhantes, tentando se fazer superior. Esse tipo de pessoa traz muitos problemas para a igreja. Espero que você não seja um deles. Vejamos o que Greg Gilbert nos diz sobre o assunto:

Se você é como a maioria dos pastores, a última coisa que deseja ouvir é de membros os quais, ao que tudo indica, estão continuamente conspirando contra a unidade no corpo da igreja. Em qualquer comissão em que tenham assento, em qualquer classe que ensinem, em qualquer amizade que possuam, eles parecem provocar os outros ao descontentamento, às queixas ou até às contendas.
Você talvez se surpreenda ao aprender que o livro de Hebreus convoca os membros de igreja a continuamente conspirarem e provocarem no corpo da igreja. Ele os chama a conspirarem e provocarem para o bem!
Em nossa igreja em Louisville, Kentucky, os demais presbíteros e eu frequentemente lembramos nossa congregação da instrução de Hebreus. Eis aqui o tipo de coisa que dizemos a ela.
O que o texto de Hebreus diz?
Hebreus 10.19-25 repousa no coração dessa exortação. Nesses versículos, o autor chama seus leitores a fazer três coisas: primeiro, eles devem se aproximar de Deus. Uma vez que Jesus conquistou para eles acesso ao trono de Deus, por sua morte na cruz, eles hão de adorar a Deus não com temor e tremor, mas com total e alegre confiança. Segundo, ele os chama a conservar a sua confissão; não a retroceder e ser destruídos, mas a crer, a ter fé, e, por esses meios, a salvar a sua alma. Com essas duas exortações, o autor chama esses cristãos a olhar atentamente para seu coração, mente e alma. Mas há também uma terceira exortação aqui, na qual ele os chama a olhar para fora de si mesmos e focar a sua atenção em seus irmãos e irmãs em Cristo – na igreja.
O autor escreve nos versos 24 e 25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.
Por causa de tudo o que Jesus fez, e por causa de tudo o que ele é, os cristãos devem estimular uns aos outros ao amor e às boas obras. Mas como devemos fazer isso? Por que meios podem os cristãos impelir uns aos outros  à bondade e à santidade? O próprio texto oferece dois caminhos – não deixando de congregar e fazendo admoestações uns aos outros.
Veja o desenvolvimento completo desses dois caminhos lendo ao artigo completo:
Fonte:http://voltemosaoevangelho.com/

Extraído do site www.9marks.org. Copyright © 2013 9Marks. Usado com Permissão. Original: “Wanted: Plotting and Provoking Church Members” by Greg Gilbert
Tradução: Vinícius Silva Pimentel – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website:www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com. Original: Procuram-se Membros de Igreja que Conspiram, para o Bem
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pornografia na palma da mão

Um dos aspectos mais interessantes, destacados por ele, é o fato de que aproximadamente 52% da pornografia absorvida em 2013 se deu por aparelhos móveis, como smartphones, e outros 10% em tablets.
Challies interpreta esses dados, apontando para a realidade de que a maioria do consumo de pornografia hoje não se dá nos desktops, ou mesmo nos notebooks. Ele aproveita e desenvolve uma interessante reflexão sobre os riscos de colocar um aparelho desses nas mãos de nossas crianças e adolescentes de maneira inadvertida.
A graça comum colocava freios quando a pornografia era acessada no desktop – bastava colocar “o computador da casa” (na época em que se tinha apenas um) em um lugar mais público, como a sala, e o problema diminuiria consideravelmente. A pornografia ainda poderia ser vista, mas era necessário tanta articulação, planejamento, silêncio, etc., que, de fato, ajudava bastante ter o computador nesse ambiente.
Mas chegaram os notebooks, e com eles, uma nova relação entre humanos e máquinas. A intimidade cresceu, e passamos a andar com os computadores para todos os lados, e tê-los em nossos quartos, em nossas escrivaninhas e camas. Para adolescentes, jovens, e mesmo homens e mulheres casados, ficou mais fácil ter acesso a textos, imagens e vídeos pornográficos. Ainda assim, o relacionamento com o notebook exige alguma paciência e desconforto – peso, tamanho, qualquer barulho do processador, etc. Barreiras simples como o tempo de ligar o notebook poderiam desestimular alguém de seguir seus desejos.
E então vieram os tablets e smartphones. Cada vez mais avançados, com capacidade de visualizar imagens e vídeos em alta resolução, ler textos com tamanho confortável, utilizar câmera integrada, dentre tantos fatores, tais dispositivos aumentaram ainda mais a intimidade do ser humano com a máquina, e viabilizaram um nível de privacidade até então desconhecido.

E assim chegamos ao resultado da pesquisa. A facilidade criada por tais meios os tornou o principal caminho para a pornografia. E mesmo os softwares para proteção criados para notebook não têm impacto sobre os aparelhos menores.
Esta é uma séria questão para considerarmos. Comprar aparelhos para nossos filhos – e para nós mesmos! – deve levar consideração os riscos que eles podem trazer.
Não rejeito nenhum dos benefícios da inovação tecnológica. Aproveito demais meus brinquedos: desktop, notebook, tablet e smartphone. Mas se eu me desligar por um minuto dos seus riscos, serei o próximo a cair na armadilha.
Por que você não conversa seriamente com seus filhos, marido, esposa, etc., sobre esta questão? A provocação do Challies é muito válida.
Fonte:  http://allenporto.wordpress.com 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um homem que viveu de forma plena


Reverendo Hernandes Dias Lopes

Estêvão foi o primeiro diácono da igreja primitiva e também o primeiro mártir do Cristianismo. Foi um homem que viveu de forma plena. Era cheio do Espírito Santo, cheio de sabedoria, cheio de fé, cheio de graça e cheio de poder. Estêvão viveu de forma superlativa e morreu de forma exemplar. Sua vida inspira ainda hoje milhões de pessoas. Seu legado atravessa os séculos. Sua voz ainda ecoa em nossos ouvidos e suas obras ainda nos deixam perplexos.
Seu discurso diante do sinédrio é o sermão com o maior número de citações bíblicas de toda a Escritura. Embora tenha sido eleito para a diaconia das mesas, exerceu também a diaconia da palavra. Conhecia a palavra, vivia a palavra e pregava com poder a palavra. Sua serenidade diante da perseguição era notória. Sua coragem para enfrentar a morte era insuspeita. Enquanto seus inimigos rilhavam os dentes contra ele, seu rosto transfigurava como o rosto de um anjo.
Mesmo sendo apedrejado pelo seus algozes, orou por eles, à semelhança de Jesus. Em vez de evocar sobre eles a maldição, pediu a Jesus para não colocar na conta deles seus próprios pecados. Perdão e não vingança era o lema de sua vida. Três marcas indeléveis distinguem esse protomártir do Cristianismo.
Em primeiro lugar, sua vida era irrepreensível (At 6.3). “Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço”. Estêvão era homem de boa reputação. Seu caráter era irrepreensível e sua conduta ilibada. Era homem impoluto e sem falhas. Sua vida referendava seu ministério. Sua conduta era a base do seu trabalho. Seu exemplo, o fundamento de sua liderança espiritual. Estêvão viveu o que pregou. Não havia nenhum abismo entre suas palavras e suas obras. Era íntegro e pleno.
Em segundo lugar, suas palavras eram irresistíveis (At 6.10). “E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava”. Por ser um homem cheio do Espírito, de sabedoria, de fé, de graça e de poder, Estêvão era boca de Deus. Cada palavra que saía de sua boca tinha o peso de uma tonelada. Seus inimigos podiam até discordar dele. Jamais refutá-lo. Estêvão tinha conhecimento e também sabedoria.
Tinha luz na mente e fogo no coração. Suas palavras eram ao mesmo tempo ternas e doces e também fortes e cortantes. Ao mesmo que trazia cura para os quebrantados, feria os de coração endurecido; ao mesmo tempo que confortava os aflitos; perturbava os insolentes.
Em terceiro lugar, suas obras eram irrefutáveis (At 6.8). “Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Estêvão pregava aos ouvidos e também aos olhos. Falava e fazia, ensinava e demonstrava. Suas obras testificavam de suas palavras irresistíveis. Por ser um homem que vivia cheio do Espírito, de fé, de sabedoria, de graça e de poder, Deus operava por meio dele grandes milagres.
Os milagres não são o evangelho, mas abrem portas para testemunhá-lo. Muitos estudiosos da Bíblia afirmam que a vida irrepreensível de Estêvão e o seu poderoso testemunho na hora da morte impactaram decisivamente o coração de Saulo de Tarso, que mais tarde, convertido a Cristo, transformou-se no maior bandeirante da fé. Que Deus nos dê homens do mesmo calibre de Estêvão, homens que ousem viver de forma plena num mundo cheio de vazio.
                                                                              
Fonte: http://lpc.org.br -  LPC

sábado, 28 de dezembro de 2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Por que clicamos em links idiotas? – Tony Reinke



Por “links idiotas” quero dizer links na internet que não fazem nada a não ser dar um tapinha na nossa curiosidade involuntária. Eles fazem pouco por nós porque têm pouco a oferecer. Nós clicamos, lemos, assistimos, e frequentemente nos sentimos mais burros por isso.
Tais links clamorosos bagunçam a internet, oferecendo fofocas de celebridades, histórias bizarras de crimes, vídeos violentos e imagens sexuais — cada link pedindo pouco mais que um clique (que pedido trivial).
Então quão sutis são esses links? Enquanto escrevo, a página inicial da CNN realça sete títulos com links como “Top Histórias”:
* Prefeito que fuma crack não renunciará
* O marido empurrado estava com os olhos vendados?
* Mulher morta em ataque de pumas
* Citações erradas alimentam os ataques de Tom Cruise
* Cervo perfurado na fronte por flecha
* Adivinhe quem está usando jeans skinny de novo
* Astronautas lavam suas cuecas?
A atração magnética que às vezes sentimos por manchetes como essas precedem a internet e o noticiário da noite. Essa foi uma preocupação abordada pelo pai da igreja Agostinho, nascido em 13 de novembro de 354 A.D. (mais de 1.600 anos atrás).
Agostinho e as Curiosidades Inúteis
Vaidade em Muitas Formas
O Problema com o Lixo Inútil
O Ponto Chave
Agostinho refletiu sobre as tentações que turvavam e distraíam seu próprio coração em seu clássico da história da igreja, As Confissões.
Lá ele edificou o precedente bíblico em 1 João 2.16: “Tudo que há no mundo — a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida — não procede do Pai, mas procede do mundo”.
A expressão “a concupiscência dos olhos”, Agostinho interpreta como curiosidades inúteis. Tais curiosidades inúteis não são limitadas ao visual, mas envolvem impulsos de todos os cinco sentidos.
A sedução das curiosidades inúteis do mundo é profundamente enraizada em nossos antepassados, e podemos encontrá-la até na curiosidade rebelde de Adão e Eva quanto à árvore no jardim. Como seus filhos decaídos, estamos todos conectados à mesma “curiosidade frívola e ávida” que frequentemente “se mascara como um zelo por conhecimento e aprendizado” e “uma sede por informações em primeira mão sobre tudo”.
No tempo de Agostinho (assim como no nosso), tal curiosidade inútil tomou muitas formas. Ela incluiu a fofoca (1 Timóteo 5.13). Ela incluiu todas as formas de mágica, astrologia e bruxaria. Ela estava por trás da vã fascinação por sinais e prodígios (Lucas 23.8). Ela estava por trás da dança lasciva no teatro. Ela estava por trás da fascinação cultural por morte, sangue e cadáveres mutilados. E ela estava por trás dos espetáculos de banho de sangue das mortes de animais e combates de gladiadores no anfiteatro.
O antigo Coliseu era um bufê de vãs curiosidades, tudo proposital.
O público amava ser entretido pelos massacres, que os imperadores alegremente financiavam para aumentar os níveis de aprovação, tudo elevado a uma vitrine popular de violência que muitos poucos filósofos pagãos questionaram.
Agostinho era uma voz contrária. Os espectadores curiosos eram participantes do mal, ele disse, e os crentes podiam facilmente ser varridos na louca paixão do evento.
De uma maneira geral, as vãs curiosidades do quarto século ofereciam a si mesmas sem interrupções. Muito antes da curiosidade de assistir alguém morrer se tornou disponível no YouTube, Agostinho escreveu: “as coisas desprezíveis que lutam por nossa atenção todos os dias são incontáveis”.
Retornando ao nosso próprio tempo, eis aqui o problema: as curiosidades inúteis são pensamentos abortados. Vãs curiosidades são, por definição, deslocadas de Deus e impotentes para apontar para Cristo. Elas enchem nossos cérebros e corações com lixo perturbador temporal. “Quando nosso coração se torna uma lixeira para coisas como essa, cheia de uma carga de lixo inútil, nossas orações são frequentemente interrompidas e perturbadas por elas”.
Pior, tais links vãos reúnem um histórico de navegação que pode revelar algo trágico sobre a condição de nossa alma. Chafurdar em tal “curiosidade venenosa”, escreve Agostinho, reflete “os impulsos de uma alma que está morta, embora não morta de maneira a não se movimentar. Ela morre por abandonar a fonte da vida (Jeremias 2.13)”.
Nada trivial escapa a atenção de Deus (Mateus 12.36). Mas é pecado curtir três minutos de um vídeo engraçado no YouTube ou novos clipes ou os feitos de homens audaciosos que você clicou através do Twitter? Talvez sim, talvez não. Depende de para onde tais vídeos levam seus pensamentos, e quais pensamentos o levaram até lá, para começar.
Há uma curiosidade inútil atraída à vaidade e ao vazio, e há uma curiosidade santificada atraída por todas as coisas que levam à beleza de Deus. Essa possibilidade é apresentada a nós em cada link.
Então Agostinho emerge da história para nos fazer três perguntas sobre nosso histórico de navegação:
* Estou buscando links que me oferecem um caminho promissor para ver mais da beleza de Deus?
* Ou, meu hábito de clicar em links é não regulado, impelido por algum capricho interior, e terminando em nada mais que minha vã curiosidade?
* Ou, o mais trágico de todos, os links que eu clico são, na verdade, apenas uma série de pequenos buracos na rua cheios de água  dos quais espero beber uma pequena gratificação para minha alma vazia?
Muitas coisas estão em jogo com o mouse ou o smartphone na mão. Que neste dia Deus possa nos dar seus recursos espirituais para que não deixemos de lado questões tão importantes nas nossas vidas diárias que parecem tão mundanas.
Fonte: www.voltemosaoevangelho.com.br
Por: Tony Reinke © Desiring God. Original: Tony Reinke – Why We Click Stupid Links.
Tradução: Alan Cristie. Original: Por que clicamos em links idiotas? – Tony Reinke

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O que é a "liberdade no Espírito"?



Um dos argumentos mais usados para se justificar coisas estranhas que acontecem nos cultos evangélicos neopentecostais é a declaração de Paulo em 2Coríntios 3:17:

Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

O raciocínio vai mais ou menos assim: quando o Espírito de Deus está agindo num culto, Ele impele os adoradores a fazerem coisas que aos homens podem parecer estranhas, mas que são coisas do Espírito. Se há um mover do Espírito no culto, as pessoas têm liberdade para fazer o que sentirem vontade, já que estão sendo movidas por Ele, não importa quão estranhas estas coisas possam parecer. E não se deve questionar estas coisas, mesmo sendo diferentes e estranhas. Não há regras, não há limites, somente liberdade quando o Espírito se move no culto.

Assim, um culto onde as coisas ocorrem normalmente, onde as pessoas não saltam, não pulam, não dançam, não tremem e nem caem no chão, este é um culto frio, amarrado, sem vida. O argumento prossegue mais ou menos assim: o Espírito é soberano e livre, Ele se move como o vento, de forma misteriosa. Não devemos questionar o mover do Espírito, quando Ele nos impele a dançar, pular, saltar, cair, tremer, durante o culto. Tudo é válido se o Espírito está presente.

Bom, tem algumas coisas nestes argumentos com as quais concordo. De fato, o Espírito de Deus é soberano. Ele não costuma pedir nossa permissão para fazer as coisas que deseja fazer. Também é fato que Ele está presente quando o povo de Deus se reúne para servir a Deus em verdade. Concordo também que no passado, quando o Espírito de Deus agiu em determinadas situações, a princípio tudo parecia estranho. Por exemplo, quando Ele guiou Pedro a ir à casa do pagão Cornélio (Atos 10 e 11). Pedro deve ter estranhado bastante aquela visão do lençol, mas acabou obedecendo. Ao final, percebeu-se que a estranheza de Pedro se devia ao fato que ele não havia entendido as Escrituras, que os gentios também seriam aceitos na Igreja.

Mas, por outro lado, esse raciocínio tem vários pontos fracos, vulneráveis e indefensáveis. A começar pelo fato de que esta passagem, "onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2Cor 3:17) não tem absolutamente nada a ver com o culto. Paulo disse estas palavras se referindo à leitura do Antigo Testamento. Os judeus não conseguiam enxergar a Cristo no Antigo Testamento quando o liam aos sábados nas sinagogas pois o véu de Moisés estava sobre o coração e a mente deles (veja versículos 14-15). Estavam cegos. Quando porém um deles se convertia ao Senhor Jesus, o véu era retirado. Ele agora podia ler o Antigo Testamento sem o véu, em plena liberdade, livre dos impedimentos legalistas. Seu coração e sua mente agora estavam livres para ver a Cristo onde antes nada percebiam. É desta liberdade que Paulo está falando. É o Senhor, que é o Espírito, que abre os olhos da mente e do coração para que possamos entender as Escrituras.

A passagem, portanto, não tem absolutamente nada a ver com liberdade para fazermos o que sentirmos vontade no culto a Deus, em nome de um mover do Espírito.

E este, aliás, é outro ponto fraco do argumento, pensar que liberdade do Espírito é ausência de normas, regras e princípios. Para alguns, quanto mais estranho, diferente e inusitado, mais espiritual! Mas, não creio que é isto que a Bíblia ensina. Ela nos diz que o fruto do Espírito é domínio próprio (Gálatas 5:22-23). Ela ensina que o Espírito nos dá bom senso, equilíbrio e sabedoria (Isaías 11:2), sim, pois Ele é o Espírito de moderação (2Tim 1:7).

Além do uso errado da passagem, o argumento também parte do pressuposto que o Espírito de Deus age de maneira independente da Palavra que Ele mesmo inspirou e trouxe à existência, que é a Bíblia. O que eu quero dizer é que o Espírito não contradiz o que Ele já nos revelou em sua Palavra. Nela encontramos os elementos e as diretrizes do culto que agrada a Deus.
Liberdade no Espírito não significa liberdade para inventarmos maneiras novas de cultuá-lo. Sem dúvida, temos espaço para contextualizar as circunstâncias do culto, mas não para inventar elementos. Seria uma contradição do Espírito levar seu povo a adorar a Deus de forma contrária à Palavra que Ele mesmo inspirou.

Um culto espiritual é aquele onde a Palavra é pregada com fidelidade, onde os cânticos refletem as verdades da Bíblia e são entoados de coração, onde as orações são feitas em nome de Jesus por aquelas coisas lícitas que a Bíblia nos ensina a pedir, onde a Ceia e o batismo são celebrados de maneira digna. Um culto espiritual combina fervor com entendimento, alegria com solenidade, sentimento com racionalidade. Não vejo qualquer conexão na Bíblia entre o mover do Espírito e piruetas, coreografia, danças, gestos. A verdadeira liberdade do Espírito é aquela liberdade da escravidão da lei, do pecado, da condenação e da culpa. Quem quiser pular de alegria por isto, pule. Mas não me chame de frio, formal, engessado pelo fato de que manifesto a minha alegria simplesmente fechando meus olhos e agradecendo silenciosamente a Deus por ter tido misericórdia deste pecador.

Por Augustus Nicodemus Lopes

Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/