Por:
Rev.
Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto / felipe@monergismo.com
Um amigo perguntou:
“Nós, como cristãos, estamos perdendo muitas das bênçãos de Deus por não
jejuar? Eu entendo que o jejum não é um mandamento,
mas nossa vida de oração não seria melhor e mais agradável a Deus se
jejuássemos?”.
Em resposta, diríamos,
em primeiro lugar, que não estamos convencidos
que o jejum não seja um mandamento no Novo Testamento. O jejum é mencionado
aproximadamente 30 vezes no Novo Testamento e não há nenhuma passagem que
sequer sugira que o jejum não é mais ordenado ou requerido por Deus, ou que o
jejum seja algo tão sem importância que pode ser negligenciado pelos cristãos.
Há várias passagens nas quais, de uma maneira
ou de outra, fica claro que o jejum é requerido no Novo Testamento bem como no
Antigo Testamento, sendo a única diferença o fato que não há promulgações de
dias de jejum no Novo Testamento. Jesus, no Sermão do Monte, tomou como certo
que seu povo jejua (Mt. 6:16-18) quando apresentou regras para o jejum. E, ao colocar o jejum ao lado da oração na
mesma passagem, ele enfatizou sua importância.
Em Mateus 17:21, ele
até mesmo ordena o jejum quando nos assegura que ele é uma arma necessária na
luta contra Satanás (cf. também Mc. 9:29). Da mesma forma, em 1 Coríntios 7:5,
o Apóstolo Paulo assume que os maridos e esposas jejuam, algo tão importante
que é a única coisa, além da oração, que pode interferir nas relações sexuais.
Apoiando esses mandamentos, temos no Novo
Testamento os exemplos do próprio Jesus (Mt. 4:2), dos apóstolos (At. 14:23;
2Co. 6:5; 11:27), da igreja (At. 13:2,3) e de crentes em geral (Lc. 2:37). Além
do mais, é claro a partir do Novo Testamento que o jejum é importante não
somente como um exercício na piedade individual (Mt. 6:16-18; Lc. 2:37; 1Co.
7:5), mas também na tarefa da igreja (At. 13:2-3, 14:23). O livro de Atos
indica que o jejum tem um papel importante na ordenação de presbíteros,
diáconos e pastores na igreja.
Nesse aspecto, poderíamos observar que há até
mesmo certo fundamento no Novo Testamento para que a igreja declare jejuns ou
dias de jejum. Essa certamente é a posição da Confissão de Fé de Westminster
(XXI, 5). Ali, o jejum é contado como uma parte necessária da adoração
religiosa, e “jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais” são recomendados.
Há tipos diferentes de jejuns mencionados na
Escritura. Há jejuns públicos e privados, como vimos. Há jejuns totais e
parciais (Ed. 10:6; Dn. 10:2,3): jejuns de pão e água bem como jejuns nos quais
a pessoa se abstém completamente de comida. Mas é claro que a Escritura promove
o jejum.
Portanto, o fato da Escritura estabelecer
certas regras para o jejum (como em Mt. 6:16-18) não deve ser incompreendido,
como se a Escritura desencorajasse o jejum. Não pode haver nenhuma dúvida que o
jejum não somente é necessário, mas proveitoso, e está no mesmo nível da oração
entre os exercícios espirituais aos quais os cristãos são chamados.
Contudo, devemos
entender que o benefício do jejum não provém de ficar sem comida por um período
de tempo, mas da auto-negação que é parte do jejum. Jejuamos com o objetivo de
negar a carne, e nos entregar totalmente às coisas espirituais. Uma barriga
vazia em si mesma não é uma bênção, mas se torna uma bênção e uma ajuda, quando
nosso sofrimento de fome nos lembra que devemos, acima de tudo, ter fome e sede
de justiça (Mt. 5:6) – que não podemos viver somente de pão, mas devemos viver
de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt. 4:4).
Que Deus possa nos dar graça para não
negligenciarmos esse importante exercício espiritual. Que atentemos ao
mandamento para se voltar ao Senhor com “Jejum
e oração” (Joel 2:12).
Fonte: www.monergismo.com
Fonte (original): Theological Bulletin, Vol. 7, nº.
19.
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